Cinema

Ang Lee: Aconteceu em Woodstock

Diretor faz uma adaptação morna do livro Aconteceu em Woodstock

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

Ang Lee: Aconteceu em Woodstock
Ang Lee: Aconteceu em Woodstock (Foto: Divulgação)

As expectativas eram grandes. Ang Lee adaptando uma autobiografi a reveladora sobre os bastidores do mais marcante festival de música do século XX. Mas Aconteceu em Woodstock, versão do livro homônimo escrito pelo produtor musical Elliot Tiber, mostra-se um fi lme comportado e aquém dos dois trabalhos anteriores do diretor, O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e Desejo e Perigo (2007).

Para enxugar a história, optou-se por cortar praticamente o primeiro terço das páginas originais, nas quais Tiber relembrava, com malícia e bom humor, a reprimida cena gay nova-iorquina do fi m da década de 60. Por outro lado, inseriu-se deslocadamente um novo personagem (papel de Emile Hirsch), que representaria o estereótipo do ex-combatente malucão da Guerra do Vietnã. O roteiro, contudo, concentra-se mesmo em como o judeu Tiber (interpretado por Demetri Martin), dono de um hotel às moscas em Bethel, cidade próxima a Nova York, se juntou ao produtor Michael Lang (Jonathan Groff) para montar às pressas, em agosto de 1969, um festival com os novos e rebeldes astros do rock de então, como Janis Joplin, Jimi Hendrix e Santana

Se Ang Lee é bastante fi el à literatura na exposição do relacionamento de Tiber e seus pais (os ótimos Henry Goodman e Imelda Staunton), torna-se vacilante ao abordar a sexualidade de seu protagonista — mais um boboca no armário e menos um verídico homossexual assumido. Tal qual o pouco explorado momento rock’n’roll, o sexo ganha fl agrantes tímidos. Lee tinha potencial, conforme demonstra na sequência ambientada dentro de uma Kombi focando a transa de Tiber e um casal doidão, durante uma viagem alucinógena. Nessa empolgante tradução daquele que foi o memorável encontro pela paz e pelo amor da era hippie, ele consegue provocar, surpreender, entusiasmar. Diante de um registro geral pálido e morno, a cena, entretanto, vira mais um motivo para lamentar a oportunidade desperdiçada.

Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee (Taking Woodstock, EUA, 2009, 110min). 16 anos. Estreou em 11/12/2009. Cine UOL Lumière 1, Espaço Unibanco 2, Frei Caneca Unibanco 1, HSBC Belas Artes 2, Reserva Cultural 2.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO