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André Diamant: o rei do tabuleiro

Aos 19 anos, o atual campeão brasileiro de xadrez coleciona títulos

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

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Diamant, no A Hebraica: cara de criança, mas currículo de gente grande (Foto: Fernando Moraes)

No caminho que percorre quase todos os dias da entrada do clube A Hebraica, no Jardim Paulistano, até sua diminuta sala de xadrez, André Diamant para diversas vezes e cumprimenta os sócios da associação judaica. Não precisa usar a camisa azul com seu nome grafado em branco nas costas para ser reconhecido. No lugar onde treina, ele é visto como herói. Não é para menos. Aos 19 anos, Diamant é o atual campeão brasileiro de xadrez, independentemente de categoria. Em março, recebeu o título mais importante do jogo de tabuleiro: tornou-se Grande Mestre Internacional, credencial que só outros sete brasileiros levam no currículo. Antes disso, troféus importantes como um Pan-Americano já adornavam sua prateleira. ‘Por causa da minha profissão, visitei pelo menos vinte países’, conta. Nascido em Fortaleza, Diamant se mudou para São Paulo quando bebê e, e aos 4 anos, entrou no mundo das torres bispos e cavalos.

Quando Diamant tinha 16 anos, o então diretor cultural do A Hebraica, José Luiz Goldfarb, conseguiu que ele fosse morar na Rússia por três meses, para estudar na escola do grande enxadrista Alexander Khalifman. ‘É incrível ver tudo que ele conquistou em tão pouco tempo’, diz Goldfarb. A cara de criança até engana, mas Diamant se mostrou precoce em diversos aspectos de sua vida. Fazia faculdade de sistemas de informação, mas trancou o curso no ano passado, depois de um susto. Sua namorada, a também enxadrista Maraani Kamphorst, na época com 17 anos, estava grávida. ‘Foi uma fase de pânico’, conta. Isaac, nascido há dez meses, mora com a mãe em Chapecó, Santa Catarina. ‘Pretendo me casar no ano que vem, assim eles podem vir morar comigo aqui em São Paulo’, afirma, exibindo a aliança de noivado.

Diamant dedica algumas horas do dia ao estudo do xadrez e para se aperfeiçoar analisa partidas antigas no computador. Até os 12 anos, em respeito a sua origem judaica, usava um quipá em todos os jogos dos quais participava, mas o substituiu por estilosos bonés. ‘O pessoal diz que dá sorte’, explica. Em sua opinião, porém, o que forma um grande enxadrista é a combinação de paciência e concentração. ‘O dom também é importante, claro’, afirma o atual rei do tabuleiro nacional. E isso ele parece ter de sobra.

Fonte: VEJA SÃO PAULO