Turismo

Hostels-butique surgem em São Paulo

Albergues com instalações mais confortáveis oferecem ar-condicionado, frigobar e áreas exclusivas como varanda e jardim privativo

Por: Flora Monteiro - Atualizado em

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No lugar dos quartos amontoados de beliches e dos banheiros coletivos localizados no corredor, aparecem suítes com cama de casal, DVD, ar-condicionado, frigobar e áreas exclusivas como varanda e jardim privativo. As salas com almofadas empilhadas no chão são substituídas por espaços mais bem planejados, ornados de poltronas, luminárias, pufes e estantes — vários desses itens selecionados a dedo em lojas de design e decoração. Os mapas de ruas e linhas de metrô pendurados pelas paredes também sumiram. Pequenas imagens dispostas discretamente ao lado dos batentes das portas são decodificadas por meio da tecnologia QR Code e transferem informações úteis diretamente para os celulares dos hóspedes. Essas são algumas das mudanças incorporadas por albergues abertos recentemente em São Paulo. As inovações têm um foco certeiro: criar diferenciais em relação aos mais de quarenta hostels espalhados, principalmente, por bairros boêmios da capital — são cerca de oito na Vila Mariana (vários na região da agitada Rua Joaquim Távora) e seis na Vila Madalena.

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Mais caprichados e com diárias que chegam a 250 reais (há quatro anos, eram raros os que ultrapassavam 50 reais), os novatos do pedaço investem em um conceito de hospedagem que vem sendo chamado de “hostel-butique”. Explica Maria Dorotéia Braz de Araujo, diretora da Associação Paulista de Albergues da Juventude: “Eles atendem a um perfil de turista que tem se tornado comum por aqui, o do jovem com dinheiro que prefere ficar em locais descontraídos”. O We Hostel Design, aberto em setembro, na Vila Mariana, promete agradar a esse estilo de mochileiro. Construído na década de 20, o casarão de 450 metros quadrados tem nove dormitórios, sendo dois deles privativos, um salão de jogos com paredes de vidro e uma sala de estar decorada com obras do artista Romero Britto. O quarto de casal dispõe de varanda privativa, onde pode ser servido um café da manhã exclusivo (cobrado à parte). “Apostei em serviços diferenciados para me destacar da grande concorrência com estabelecimentos próximos”, conta o sócio Guilherme Perez.

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O planejamento do espaço e o conforto dos ambientes também foram preocupações no CityLights Hostel, inaugurado em junho em Pinheiros. “Criei um projeto funcional, unindo bem-estar e sustentabilidade”, diz o arquiteto e sócio Cassiano Bonjardim. “Utilizamos bem a luz e a ventilação naturais e instalamos um sistema de reaproveitamento de água da chuva embaixo do deque do quintal.” Lá ainda existem os tradicionais quartos coletivos, mas os beliches de madeira fixos na parede são bem espaçados e não faltam confortos como ar-condicionado. Há uma suíte equipada com TV e DVD. Os serviços de camareira para a limpeza do banheiro e a troca da roupa de cama estão inclusos na diária de 140 reais desse dormitório. “Procurei um lugar com estrutura semelhante à de um hotel, mas onde eu teria um convívio social, para não ficar sozinho na cidade”, afirma o turista americano Samuel Snow, um dos hóspedes recentes.

O americano Snow, no CityLights Hostel
O americano Snow, no CityLights Hostel: procura por conforto e convívio social (Foto: Fernando Moraes)

Para engordar um pouco mais a safra de hostels, o Paradiso, aberto em setembro de 2011 no Paraíso, finalizou no mês passado a reforma de uma nova casa, vizinha de fundo da pioneira. No endereço, que representa uma “versão de luxo” do empreendimento original, foram investidos na reforma 60.000 reais. “Como a procura dos viajantes por espaços privativos aumentou, decidimos abrir mais uma sede apenas com suítes para casais”, conta o sócio Luiz Mastropietro. As diárias dos quartos novos custam entre 140 e 250 reais. O mais caro é o The Secret Garden Loft, um espaço térreo de 90 metros quadrados, que, como o próprio nome diz, integra varanda e jardim. No mobiliário estão peças da marca virtual Oppa e da loja Desmobilia, de Pinheiros, além de um frigobar. Segundo Mastropietro, entre os hóspedes há desde famílias até executivos — sem esquecer, é claro, os mochileiros descolados.

We Hostel Design. Rua Morgado de Mateus, 567, Vila Mariana, ☎ 2615-2262. Diária: R$ 25,00 (cama em quarto coletivo) a R$ 160,00 (quarto de casal). Café da manhã incluso.

CityLights Hostel. Rua Padre Garcia Velho, 44, Pinheiros, ☎ 2364-4231. Diária: R$ 38,00 (cama em quarto coletivo) a R$ 140,00 (quarto de casal). Café da manhã incluso.

Paradiso Hostel. Rua Chuí, 195, Paraíso, ☎ 99811-8633. Diária: R$ 40,00 (cama em quarto coletivo) a R$ 250,00 (loft para casal com jardim). Não inclui refeições.

Fonte: VEJA SÃO PAULO