Volta às aulas

Maisons consagradas abrem as portas para leigos aprenderem, em cursos comandados por artesãos de primeira, as técnicas que as transformaram em ateliês renomados

Curvados sobre os bastidores, seis alunos se concentram nas orientações de como fazer um bom bordado enquanto a professora distribui fios de seda, paetês e pedrarias. O objetivo é aprender a técnica de Lunéville, na qual são utilizadas uma finíssima agulha de crochê e linhas mais resistentes para decorar o avesso do tecido. É a especialidade da escola Lesage, o braço didático do mítico ateliê responsável pela decoração das peças Dior, Yves Saint Laurent e Chanel, dona do estúdio há dez anos. Nem todos os presentes nesta sala de aula pretendem se habilitar a continuar a tradição da maison, fundada 154 anos atrás (o curso profissionalizante custa a partir de 6 279 euros). Pelo prédio da escola, criada em 1992, onde também se encontra o ateliê, circulam, entre os 300 alunos ao ano, interessados em bordar por lazer, para desestressar ou para reproduzir num vestido caseiro as borboletas consagradas pela alta-costura (quatro aulas, com duração de três horas, custam 360 euros). “Estamos abertos a quem quiser aprender um savoir-faire”, diz a coordenadora Stéphanie Henneront.

No rastro da pioneira Lesage, marcas começam a oferecer aulas para apresentar aos clientes e curiosos os bastidores da produção de peças únicas e valorizar, assim, o conhecimento cultivado por gerações de artesãos franceses. “Comparo o curso a um de degustação de vinhos: você não faz para se tornar um produtor, mas para apreciar a diferença entre um Bordeaux e um Borgonha”, afirma Marie Vallanet-Delhom, diretora da Van Cleef & Arpels, aberta em fevereiro. Sediada na Praça Vendôme, a escola oferece uma visão ampla de joalheria, desde a inspiração para uma coleção até o reconhecimento das pedras, passando pela história dos adornos. Ela deve fechar o ano com 1 500 matriculados, de dezoito países — uma demanda tão grande que o currículo inicial de sete módulos salta para vinte até o fim de 2013 (a partir de 600 euros por módulo).

chapéu sophie papiernik

chapéu sophie papiernik

O interesse dos amadores foi o que levou Sophie Papiernik, chapeleira oficial do prix de Diane, célebre corrida hípica francesa, a criar uma escola de modelismo. Ali, eles aprendem a fazer um chapéu do início ao fim e saem com a criação na cabeça no mesmo dia (a partir de 160 euros). “As pessoas valorizam peças únicas e o controle que se pode ter em todas as etapas da criação”, explica Sophie. Só há uma exigência para participar do curso: saber fazer uma barra de calça ou pregar um botão. Há quem enxergue na curiosidade pelos produtos uma forma de recompensar o cliente mais fiel e apaixonado. Desde 2000, o relojoeiro de luxo suíço Jaeger-LeCoultre organiza, uma vez por ano, em Paris, aulas apenas para seletos eleitos. Nos cursos, os alunos entram, literalmente, no mecanismo do relógio e realizam um sonho de infância: desmontam — e remontam — a peça.

École Lesage. 13, Rue de la Grange Batelière, ☎ 33 (1) 4479-0088, ecole-lesage@lesageparis.fr

L’École Van Cleef & Arpels. 19, Place Vendôme, contact@lecolevancleefarpels.com

École Sophie Papiernik. 11, Rue Jules Chaplain 75006, ☎ 33 (1) 0606512746, sophiepapiernik.fr

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