USP e CET estudam medidas para fiscalizar ciclistas

Bicicletas são permitidas no campus das 4h45 às 7 horas durante a semana

No último dia 24, por volta das 14 horas, dois alunos da faculdade de engenharia da USP agrediram três ciclistas com tapetes de borracha enrolados. Os estudantes foram levados para a delegacia e vão responder a processo por tentativa de homicídio. Esse foi mais um episódio da já conhecida rixa entre os alunos da universidade e os atletas que pedalam dentro da Cidade Universitária. A briga se desenrola desde abril de 2005, quando a prefeitura do campus decidiu proibir as bikes. Naquela época, todos os dias a ouvidoria-geral registrava de duas a três reclamações contra os esportistas. Funcionários, alunos e professores queixavam-se principalmente dos pelotões formados por dezenas de ciclistas, que muitas vezes atingiam uma velocidade de 60 quilômetros por hora. A proibição provocou chiadeira. “Não temos outras opções de locais para pedalar na cidade”, afirma Marcos Mazzaron, presidente da Federação Paulista de Ciclismo. “Bicicleta é um transporte que não polui e evita o trânsito. Por que pegam no nosso pé?” Na tentativa de amenizar a situação, a prefeitura da Cidade Universitária decidiu, no fim do ano passado, reservar um horário para as bikes. De segunda a sexta-feira, o esportista pode circular entre 4h45 e 7 horas. Basta, além de ser dotado de muito ânimo matinal, se cadastrar na federação. Aos sábados, o horário é mais flexível, das 6 às 14 horas (a Cidade Universitária fecha aos domingos). Atualmente, há cerca de 2.000 ciclistas cadastrados. Controlá-los é um problema. “Muitos desrespeitam a regra, e nossa equipe de fiscais não consegue impedi-los”, diz Ronaldo Pena, chefe da segurança do campus. Uma possível solução está nas mãos da consultoria jurídica da USP, que analisa uma proposta feita pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A idéia é que marronzinhos circulem dentro da Cidade Universitária para fiscalizar o tráfego de bicicletas e automóveis. O campus recebe diariamente 80 000 veículos. É um número muito maior que o de alunos (52 000) e funcionários (9 000) juntos. Parte dos carros passa por ali para fugir do trânsito das marginais. A reitoria estuda criar ainda um horário noturno para os ciclistas. Mazzaron, da federação paulista, aprova, mas não se dá por satisfeito. “Gostaríamos de ter mais espaço na discussão do problema e sugerir soluções.”

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