Sexo, mentiras e ambições em “Cine Camaleão — A Boca do Lixo”

Ousado drama traça um painel do centro da cidade nos anos 70

Entre as décadas de 60 e 80, a região central reuniu as principais produtoras de cinema de São Paulo. Batizada de Boca do Lixo, a área compreendida entre Campos Elíseos, Bom Retiro, Luz e Santa Ifigênia conheceu o apogeu comercial com as pornochanchadas, um contraponto às fitas de ambições psicológicas e sociais realizadas por Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade e Arnaldo Jabor, entre outros. Inspirada nesse movimento, a Cia. Pessoal do Faroeste criou o drama “Cine Camaleão — A Boca do Lixo”, escrito e dirigido por Paulo Faria. A montagem está em cartaz na Sede Luz do Faroeste, localizada bem nas imediações do agito daquele tempo.

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Colabora para o público entrar no clima a degradação da área, onde, nos últimos meses, foram inaugurados o Sesc Bom Retiro e o Teatro Grande Otelo, no Liceu Coração de Jesus. Os quarenta espectadores (que devem reservar os ingressos por telefone) são acomodados em cadeiras lado a lado, valorizando a cenografia assinada por F.E. Kokocht e Faria. Mel Lisboa interpreta a cantora Wanda Scarlatti. Ela decide financiar um filme com a condição de protagonizar uma cena de sexo explícito e chama o cineasta Tony Reis (papel de Roberto Leite) para tocar a produção. Frustrado por não poder bancar trabalhos de arte e depender da pornochanchada, ele enxerga a chance de tirar proveito da situação.

O espetáculo traça um interessante painel dos anos 70 e entretém a plateia. Recheada de ironia, a aprofundada dramaturgia traz referências à vida cultural e ao cenário político da época e costura bem a metalinguagem, representada por projeções do filme que desenrola a trama. Se não surpreende, a atuação de Mel dosa sensualidade e tenta imprimir um certo sarcasmo. Para isso, a atriz conta com o apoio do afinado elenco, completado por Juliana Fagundes, Beto Magnani, Lorenna Mesquita e Thais Aguiar.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

 

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