Escola Municipal de Bailado comemora setenta anos com apresentações

Na quinta (27), às 21 horas, o Teatro João Caetano, na Vila Clementino, sedia o primeiro dos espetáculos

Um dos cartões-postais da cidade, o Viaduto do Chá, no centro, serve de passarela para milhares de paulistanos diariamente. É embaixo desse frenético vaivém que funciona a Escola Municipal de Bailado, dedicada ao ensino gratuito de balé clássico. Fundada em 1940, a instituição ocupava apenas uma sala do Teatro Municipal. A procura, porém, foi tanta que, três anos depois, migrou para o espaço dos dias de hoje. Em comemoração a seus setenta anos, o grupo apresenta sete espetáculos até outubro. Na quinta (27), às 21 horas, o Teatro João Caetano, na Vila Clementino, sedia o primeiro deles. Além disso, um livro sobre sua história está no forno e tem previsão de lançamento para o fim do ano.

No início, a escola se propunha a preparar bailarinos para apoiar as grandes óperas realizadas na cidade. Meninas da alta sociedade formavam a maior parte do elenco. Aos poucos, passou a receber um corpo discente com novas prioridades. “Nosso ensino se tornou cada vez mais profissionalizante”, afirma Esmeralda Penha Gazal, formada pelo instituto e sua diretora há dezoito anos. Em 1968, com a criação do Corpo de Baile Municipal, conhecido atualmente como Balé da Cidade, muitas das estudantes passaram a fazer parte do grupo.

Outro marco se deu em 1991, quando o diretor Acácio Ribeiro incorporou elementos contemporâneos à grade curricular. “É importante conservar a tradição, mas também olhar para as necessidades atuais da arte”, diz Esmeralda, sua assistente na época. Foi ela a responsável por reativar de vez, em 1997, o Corpo de Baile Jovem, criado em 1986 e com atividades antes pouco regulares. É composto de trinta pupilos, que interpretam tanto clássicos quanto coreografias próprias.

Figuras importantes da dança se formaram na Escola de Bailado. Compõem a lista a diretora da São Paulo Cia. de Dança, Iracity Cardoso; Ivonice Satie (1951-2008), ex-coreógrafa da Cia. Sociedade Masculina; Léa Havas, ex-solista de grupos internacionais; e Thiago Bordin, primeiro-bailarino do Balé de Hamburgo. “Pude conviver com o ambiente das óperas, que constituíram um grande aprendizado artístico para mim”, diz Iracity.

Todos os meses de março e setembro, cerca de 1 000 pessoas disputam 120 vagas para o exigente curso de oito anos de duração. Elas passam por uma audição que testa diversas capacidades, a exemplo de aptidão física e musicalidade. Atualmente, existem 370 estudantes, entre eles apenas dezoito meninos. Jovens de 8 a 18 anos se dividem por nove salas, todas com pianista. Com cargas crescentes de tempo, que chegam a atingir quinze horas semanais no ano de formatura, as aulas ministradas por dezenove professores vão de balé clássico a história da dança.

“Há muita exigência e rigor. Costumamos começar com quatro turmas e terminar com uma só”, conta Esmeralda. Se passarem por esse funil, as longilíneas garotinhas da Escola de Bailado, com seus coques impecáveis, collants rosa e sapatilhas desgastadas, terão um futuro promissor.

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