Desfile de chapéus no Jockey Club

Paulistanas desfilam seus acessórios nas tribunas do Jockey Club

Pontualmente às 16h50 deste domingo (18), quando os primeiros cavalos dispararem rumo ao disco final da 85ª edição do Grande Prêmio São Paulo, mulheres da sociedade paulistana darão a partida em uma competição paralela. Devidamente paramentadas com seus chapéus, acessório imprescindível para a tarde, elas concorrem, aba a aba, ao posto de a mais elegante do Jockey Club. Para as cerca de 750 convidadas da tribuna de honra, os puros-sangues ingleses de nomes imponentes como Quick Road, Blessed Mustang e Jeune Turc não passam de meros coadjuvantes. O protagonista mesmo é o chapéu.

“Onde tem mulher tem competição”, afirma a empresária Carol Bassi Alvarez, que, como estreante no evento, optou por um pretinho básico na cabeça. O chapéu foi comprado há dez dias em Mônaco, onde mora sua irmã Anna Raffaela, mulher do piloto Felipe Massa. Como o chapéu, segundo ela, é simplesinho (500 reais), vai complementá-lo com um broche da Chanel em formato de camélia (mais 700 reais). “Estou com medo de ficar um pouco exagerado.” Modelitos rococós, com plumas e passarinhos, aliás, não fazem, literalmente, a cabeça das paulistanas. “A maioria das clientes prefere os mais clássicos”, diz Ruth Al-Assal, sócia da Daisy & Ruth Chapéus e Grinaldas. Com um acervo de 3.000 peças, a loja é uma das preferidas das endinheiradas. O aluguel de um chapéu varia de 120 a 400 reais. Outra queridinha é a chapeleira Sabrina Grebinsky, que tem entre suas clientes a ministra Marta Suplicy e a família Trussardi. Ela atende uma média de 100 pessoas por mês. Na semana passada, o movimento cresceu, e mais de oitenta mulheres buscaram ali um chapéu para chamar de seu.

Para não fazer feio ao desfilar por aí com um chapelão, é preciso uma postura altiva. A socialite Paula Trabulsi que o diga. Insegura, ela não quis ousar quando foi à prova pela primeira vez, há dois anos. “Usei um bem simples”, arrepende-se. Grávida de sete meses, desta vez Paula escolheu um chapéu enorme da marca francesa Ines Cruz, com abas largas, desestruturadas e viradas para cima. Ela não revela quanto pagou, mas modelos dessa marca custam cerca de 2.000 reais. Para quem não tem traquejo com o acessório, Paula dá uma dica: “Não se cumprimenta com beijo no rosto uma mulher de chapéu”.

Com o chapelão cor-de-rosa, ela vai usar um vestido de tricô verde. “O mesmo tom dos pés à cabeça não é legal”, recomenda. Esse ponto não é consenso. Muitas mulheres fazem questão de que esteja tudo combinandinho. Pode parecer, mas Andrea Funaro, diretora da Bulgari no Brasil, jura que esse não é o seu caso. Elegante até o último fio do cetim de seda de seu tailleur Dior, a opção pela composição toda em off-white e outros tons de bege foi exceção. “Prefiro peças que não combinam entre si, mas dessa vez acho que deu certo.” Seu chapéu de trama foi comprado em uma praia próxima a Milão, por cerca de 700 reais. “Fiquei parecendo uma daquelas damas inglesas”, diz. A associação com a realeza britânica é mesmo inevitável. Em Ascot, hipódromo freqüentado pela família real, ocorre a mais tradicional corrida de cavalos do mundo. Desde 1768 a nobreza reúne por lá seus chapéus chiques, por vezes extravagantes e inusitados. “A rainha Elizabeth II mostra seu lado fashion através dos chapéus”, afirma a historiadora de moda Miti Shitara, da Faculdade Santa Marcelina. Por aqui, se depender das damas paulistanas, a moda vai pegar – nem que seja apenas por uma tarde.

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