Nova adaptação de “A Guerra dos Botões” comprova vigor do clássico

Romance de Louis Pergaud publicado em 1912 retrata o universo infantil com ternura e sem ingenuidade

Não há melhor termômetro que o cinema para medir a vitalidade do livro “A Guerra dos Botões”. Publicado em 1912, o romance de Louis Pergaud (1882-1915) ganhou cinco adaptações para a tela. A mais popular, de 1962, é um dos maiores sucessos de bilheteria da França. Só em setembro do ano passado, duas versões estrearam nas salas daquele país. A coincidência de datas rendeu até alguma polêmica na imprensa por causa da competição nervosa entre os diretores Yann Samuell (de “A Guerra dos Botões”, lançado nesta semana em São Paulo) e Christophe Barratier (de “A Nova Guerra dos Botões”, inédito no Brasil), que se apressaram para concluir as fitas. O apelo do texto original, percebe-se, saiu ileso da disputa.

+ Os melhores filmes em cartaz; salas e horários

+ Dez bons programas para as férias de julho

A história inventada por Pergaud mostra os combates de mentirinha de dois grupos de crianças, moradoras de vilas inimigas. Para o autor, morto na I Guerra, a ideia servia como uma metáfora para os absurdos do militarismo — um tema, por si só, resistente ao tempo. Equipados com espadas de madeira, os meninos de Longeverne e de Velrans brigam sem saber exatamente o motivo, imitando cruelmente o comportamento dos adultos — que, no longa-metragem de Yann Samuell, estão lutando na Guerra da Argélia. O vigor do enredo pode ser creditado à franqueza com que o autor observa o universo infantil: com ternura, mas sem ingenuidade.

+ O melhor da semana para as crianças

Diretor de comédias românticas como “Amor ou Consequência” (2003), Samuell adapta essa mensagem pacifista num formato brando, acessível a toda a família. No filme de 1962, assinado por Yves Robert, a violência doméstica aparecia com mais agressividade. Aqui, opta-se por cores mais suaves, numa atmosfera de cartum retrô semelhante ao bem-sucedido “O Pequeno Nicolau” (2009). O enredo, transferido do fim do século XIX para os anos 60, deixa o confronto mirim em segundo plano e dá mais enfoque aos dramas do líder de Longeverne, o adolescente miserável William Lebrac (o talentoso Vincent Bres). Alterações que, apesar de aguar o original de Pergaud, conservam a potência de uma fábula ainda incômoda, mesmo em doses açucaradas.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Comentários
Deixe uma resposta

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s