Capital tem maioria de casos de violência contra deficientes

Levantamento feito durante três meses indica que 26% das ocorrências que envolvem vítimas com deficiência foram registradas na capital

Um levantamento divulgado nesta quinta (27) pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência aponta que foram registradas 4452 ocorrências envolvendo vítimas com deficiência em todo o estado em apenas três meses deste ano. No topo da lista figura a capital, com 26% dos casos.

Os números, colhidos entre junho e agosto, são resultados da inclusão, no início deste ano, de um campo no Registro Digital de Ocorrências (RDO), identificando se a vítima tem algum tipo de deficiência. São Paulo é o primeiro estado a tomar essa medida e a ter uma delegacia especializada.

Quando traçado o perfil das pessoas que sofreram violência, 65% são adultos acima de 40 anos. Quase metade dos casos (46%) envolviam vítimas com deficiência física, 19,1% deficiência intelectual, 15% visual, 12,6% auditiva e 6,6% deficiência múltipla. Os dados não acompanham a distribuição demográfica desse grupo social pois, segundo o IBGE, o tipo mais comum de deficiência em São Paulo é a visual.

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A disparidade também é vista nos números que envolvem a deficiência intelectual, que aparece como segundo grupo mais presente nos registros da polícia, sendo que na contagem do Censo 2010 figura em proporção menor dentre os outros tipos, com 4,1%. Entre este grupo, destaca-se a quantidade de crimes contra a dignidade sexual, 8%, número discrepante diante de todos os tipos, que têm como média 2,07% dos registros. 

O levantamento mostra que as vítimas com deficiência visual são as que mais sofrem com crimes contra o patrimônio, como roubos e furtos, com 40,7%.

Segundo material fornecido pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a população com deficiência tem 1,5 vezes mais chances de ser vítima de abuso sexual e 4 a 10 vezes maior probabilidade de ter vivenciado maus-tratos na infância. 

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“Um dos eixos do nosso programa é a capacitação de agentes públicos, como professores, médicos, policiais e assistentes sociais para lidar com esses casos”, afirma o coordenador do Programa Estadual de Prevenção e Combate à Violência contra as Pessoas com Deficiência, Luiz Carlos Lopes.

Outra parte importante do trabalho do órgão envolve a preocupação com a autonomia do deficiente, por meio da criação de renda e do oferecimento de apoio psicológico. “Quanto mais se depende de alguém, financeira ou fisicamente, a chance de se tornar vítima é muito maior”, diz Luiz, completando que o agressor é o cuidador em 72% dos casos.

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