Beatriz Segall: “A peça é muito melhor que o filme”

Atriz fala sobre o espetáculo “Conversando com Mamãe”, que reestreia hoje (27)

Beatriz Segall volta a apresentar a peça “Conversando com Mamãe”, no Teatro Renaissance, a partir de hoje (27), ao lado do ator Herson Capri.

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O espetáculo emociona ao trazer temas como afeto, companheirismo e afastamento. Beatriz interpreta uma espirituosa e moderna senhora de 82 anos. Capri, por sua vez, é Jaime, o filho cinquentão que pouco convive com a mãe e só tem notícias dela por telefone.

O problema começa quando Jaime, até então um bem-sucedido executivo, perde o emprego e, sem dinheiro, vê como única saída a venda do apartamento onde mora a mãe.

A atriz falou com VEJINHA.COM por telefone. Atrasada para a conversa, ao atender ao telefone, bem-humorada, ela brinca: “Olha, me desculpe, eu sou uma pobre senhora que ninguém cuida, mas hoje decidi me cuidar: estava em um empório comprando algumas coisas gostosas e perdi noção do tempo”.

Confira a entrevista abaixo.

VEJA SÃO PAULO – A senhora pode descrever seu papel em “Conversando com Mamãe”?
Beatriz Segall –
Ao contrário das primeiras sinopses publicadas sobre a peça, minha personagem e seu filho se gostam muito. Faço uma velha moderna, que passou a vida dominada pelo marido, mas evoluiu muito, ao ponto de poder dar aulas para Jaime. O que importa no espetáculo são os diálogos entre os dois.

VEJA SÃO PAULO – A senhora tem uma família grande: é vó de dez netos. Isso a ajudou na hora de construir sua personagem?
Beatriz Segall –
Não precisei usar nenhum subterfúgio. Tive uma diretora excepcional, Susana Garcia. Ela ainda não é muito conhecida, mas será. Trabalha como há muito não via e é especialmente boa com atores, o que não é fácil.

VEJA SÃO PAULO – Nem mesmo o filme “Conversando com Mamãe” (co-produção argentina e espanhola, de 2004) serviu como ferramenta?
Beatriz Segall –
O filme tem cinco ou seis atores. Nossa peça é menor e muito melhor: é mais concisa e as ideias são mais claras. E, cá entre nós, aquele ator (Eduardo Blanco) é muito ruim. Herson é muito melhor.

VEJA SÃO PAULO – O filme é mais dramático do que a peça?
Beatriz Segall –
Nossos ensaios foram o mais sério possível. Nunca imaginávamos que a peça seria engraçada: demos sorte. Percebemos quando, semanas antes da estreia, fizemos uma apresentação para os técnicos, que começaram a rir. É muito difícil fazer comédia, mas este mérito é inteiro do texto.

VEJA SÃO PAULO – Sua relação com Capri e Susana parece ser muito boa. Como é a convivência nos bastidores?
Beatriz Segall –
Essa peça foi muito fácil de fazer. Tudo funciona sobre rodinhas conosco. Toda a equipe é uma maravilha. Vamos apresentar esta peça até o meados deste ano e já estou sofrendo com o término.

VEJA SÃO PAULO – A senhora disse no ano passado que só atuou na série “Lara com Z”, da Rede Globo, porque Wolf Maya insistiu. Foi seu último projeto na televisão?

Beatriz Segall – Eu só tenho 85 anos, é claro que voltaria para a televisão. Depende da proposta, mas faria até novela se não estivesse com nenhuma peça em cartaz.

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