Metanol: Qual o risco para cerveja e vinho? Especialista responde
São Paulo tem atualmente a notificação de 52 casos de suspeita de intoxicação
São Paulo tem atualmente 10 casos confirmados de intoxicação por metanol causados por ingestão de bebida adulterada e uma morte. Há ainda 36 casos suspeitos e cinco mortes em apuração – três na cidade de São Paulo (homens de idade de 45, 50 e 70 anos) e dois em São Bernardo do Campo (dois homens de 49 e 58 anos de idade), totalizando 52 casos.
O metanol é um tipo de álcool utilizado na indústria química para produzir solventes e extremamente tóxico para o organismo humano. Os sintomas incluem sonolência, dor abdominal, enjoo, vômito, dor de cabeça, alterações visuais, como visão dupla, turvação visual, redução da acuidade visual e até cegueira.
A Vejinha conversou com o farmacêutico Edvaldo Antonio Ribeiro Rosa, professor de Microbiologia da Escola de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), para entender quais bebidas devem acender maior sinal de alerta aos consumidores, quais os riscos e como se prevenir. Confira a entrevista abaixo.
Quais as bebidas mais “adulteráveis”? Realmente são os destilados?
Sim. Cachaça, gin, vodka, whisky. As bebidas que têm álcool proveniente de destilação podem carregar o metanol durante o processo de destilação e ele tem que ser retirado dessas bebidas. Para isso, é feito um processo chamado de corte de cabeça e corte de cauda. Todo o volume vai para o destilador, eu elimino os 10% iniciais, que a gente chama de cabeça, que eu não posso usar como bebida, eu separo para outro fim – queimar, transformar em solvente. E os últimos 10% da destilação, que é chamado de cauda, eu também não posso usar, porque tem substâncias tóxicas ali. O que é usado nas bebidas são os 80% que a gente chama de coração, é ali que está o álcool que pode ser utilizado para fins de confeccionar uma bebida. Nos destilados, também, é mais fácil mascarar o sabor, diferente de uma bebida fermentada como vinho e cerveja. Por serem bebidas que tem um alto teor alcoólico, eu mascaro o metanol mais facilmente, não dá pra identificar por cheiro, sabor, cor, ele não vai ser diferente do etanol, inclusive se queimar ambos, a chama é parecida, então não dá para saber se tem ou não metanol.
E no caso de cerveja e vinho?
A quantidade de metanol que surge naturalmente no processo de produção da cerveja e do vinho é muito baixa, a gente diz que é não identificável, porque, no lugar de destiladas, essas bebidas são fermentadas e filtradas. Se adulterar com metanol, aumentaria o teor alcoólico. No caso da cerveja, talvez as pessoas notassem a diferença no sabor, por ser uma bebida de teor alcoólico baixo.
Qual sua teoria para a causa dessas intoxicações?
O metanol é um álcool relativamente caro, não é produzido no Brasil, 1 tonelada custa 800 dólares [cerca de 4 200 reais], já o etanol custa 2 200 reais. Não vejo como haveria uma vantagem econômica nessas possíveis adulterações. Acredito que ou estão utilizando álcool de posto de gasolina, que pode ter até 0,5% de metanol, ou um álcool produzido de forma clandestina usando frutas, que aí a quantidade de metanol gerada naturalmente é ainda maior que a do de posto. Ou alguém adicionou o metanol por acidente, ou foi alguma coisa realmente intencional, mas existe aquela máxima de que um bom parasita jamais mata o seu hospedeiro. A investigação vai seguir para determinar se, além de culpa, houve dolo, e se a motivação foi o lucro ou realmente a intenção de ferir as pessoas.
Em que quantidade o metanol se torna um risco para o organismo humano?
Pela Anvisa, a quantidade de metanol permitida em 1 litro de bebida é algo equivalente a uma gota e meia. A partir de 10 ml, que é o volume equivalente a uma colher de sopa, passa a causar cegueira. Três colheres de sopa é o suficiente para matar uma pessoa adulta. Claro que pode variar de organismo para organismo, mas de forma geral esses são os valores reconhecidos para a maioria das pessoas.
Como o metanol afeta o nosso organismo?
Ao ser digerido, o metanol se transforma em substâncias tóxicas, primeiro formol e, depois, ácido fórmico, que inibe a produção de energia nas mitocôndrias das células. É daí que vem a causa do risco de cegueira, pois tecidos que demandam mais energia, como os nervos e a retina, são os primeiros a sofrer.
Como prevenir?
É importante destacar que não é possível identificar o metanol nas bebidas, nem por sabor, nem por cheiro, nem fazendo testes caseiros como queimar a bebida. Só é possível determinar a presença de metanol na bebida em laboratório. Acho complicado dizer para as pessoas pararem de beber, porque quem já bebe vai querer continuar bebendo, mas é importante comprar os destilados apenas de fornecedores de confiança, analisar o rótulo e beber apenas em casa. Se for beber em bar, tem que ser um bar que realmente a pessoa tenha bastante confiança no dono.
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