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Qual o melhor material para fazer uma máscara caseira contra a Covid-19?

Cientistas estão testando itens do dia a dia para encontrar a melhor proteção contra o novo coronavírus. Saiba mais

Por Redação VEJA São Paulo - Atualizado em 8 abr 2020, 13h43 - Publicado em 8 abr 2020, 12h22

Em tempos de isolamento social e escassez de produtos hospitalares como luvas e outros equipamentos de proteção, ficou determinado que apenas quem apresentasse sintomas da Covid-19 usasse máscaras, para evitar que quem mais precisa ficasse sem o aparato. No entanto, a recomendação das autoridades agora é que todos cubram os rostos com tecidos durante a pandemia do novo coronavírus. Mas qual material oferece a maior proteção?

Nos EUA, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças compartilhou uma padronagem que não requer costura para fazer sua máscara caseira, usando tecidos que vão desde uma bandana ou lenço e dois elásticos até filtros de café — aqui no Brasil, o passo a passo da versão feita em casa foi transmitida pelo jornalista Márcio Gomes ao vivo na TV Globo, em um vídeo que chegou a repercutir na internet. Especialistas concordam que cobrir o rosto com tecidos diferentes pode reduzir significantemente as partículas com vírus que estão saindo com tosses e espirros de uma pessoa infectada, mas impedir a entrada de doenças já é outra história.

Uma matéria do New York Times mostra que há uma diferença de tecido para tecido quando a questão é se proteger dos vírus como a Covid-19. Nos Estados Unidos, testes feitos por cientistas mostram que filtros de arsacos de aspirador de pófronhas com mais de 600 fios e tecidos semelhantes a pijamas de flanela cumprem bem a tarefa de proteger quem não está doente dos vírus — alguns filtros, no entanto, devem ser usados envelopados em outros tecidos, já que eles podem soltar pequenas fibras que podem ser perigosas se inaladas. Já os filtros de café tiveram uma performance mediana. O material de lenços e bandanas tiveram notas mais baixas, mas ainda conseguiram capturar uma pequena porcentagem de partículas.

Se você não tem nenhum dos tecidos citados acima, há ainda um pequeno teste caseiro que pode ser feito para descobrir se um tecido é eficiente para ser usado como máscara. “Segure-o contra uma luz forte”, aconselha o Doutor Scott Segal, que estudou as máscaras caseiras e foi entrevistado pelo NYT. “Se a luz passar com muita facilidades pelas fibras do tecido, ou se você puder ver as fibras contra a luz, o material não é uma boa escolha. Se o tecido tiver um tear mais denso ou for de um material mais grosso, que não permite que a luz passe por ele, este é o material que você quer usar”.

É bom lembrar que as pesquisas foram feitas sob condições perfeitas, sem vazamentos ou fendas nas máscaras, mas os métodos nos mostram uma maneira eficiente de comparar diferentes materiais. E mesmo que as máscaras caseiras não apresentem um nível de filtragem considerado “ideal”, muitos de nós — que estão praticando o isolamento social, trabalhando de casa e evitando sair em lugares públicos — não precisamos de um grande nível de proteção, como os profissionais da saúde dependem. E, mais importante: qualquer rosto coberto é melhor do que um que não está protegido, especialmente quando é usado por uma pessoa que pode ter o vírus da Covid-19, mas ainda não sabe ou ainda não apresentou sintomas.

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O maior desafio na hora de fazer máscaras caseiras é encontrar um material que é grosso o suficiente para capturar as partículas virais, mas respirável. Muitas máscaras vendidas on-line prometem altas notas de filtragem — mas são feitas de materiais impossíveis de serem usados no dia a dia. Para testar esses tecidos, especialistas estão usando métodos similares aos aplicados nos testes de máscaras médicas, que devem ser reservadas para os profissionais que estão na linha de frente de combate contra o novo coronavírus. A melhor máscara médica — chamada de respirador N95 — filtra pelo menos 95% das partículas de até 0,3 mícrons. Em comparação, uma típica máscara cirúrgica tem uma eficiência de 60% a 80% de filtragem.

Os pesquisadores apontam que os tecidos mais comuns usados para fazer máscaras caseiras podem apresentar maior proteção quando dobrados diversas vezes. A fronha de 600 fios capturou apenas 22% das partículas quando dobrada duas vezes, mas com quatro camadas capturou quase 60%. Um lenço de lã grosso filtrou apenas 21% das partículas quando dobrado duas vezes, mas 48,8% com quatro camadas. Uma bandada feita de algodão 100% teve o pior desempenho, capturando apenas 18,2%  quando dobradas duas vezes, e 19,5% quando em quatro camadas.

Já uma professora assistente de design da Universidade de Indiana compartilhou um vídeo on-line mostrando como fazer uma máscara com técnicas de origami. A ideia partiu do irmão de Jiangmei Wu, que mora em Hong Kong, na China, onde o uso de máscaras diariamente é bastante comum. O padrão pode ser encontrado de graça na internet, assim como um vídeo no YouTube mostrando o passo a passo para fazer sua máscara caseira. Você só vai precisar de tesoura, aqueles pequenos pedaços de metal cobertos com plástico ou tecido, comuns em embalagens de pães e outras guloseimas, elásticos, grampeador e um filtro HEPA — uma tecnologia empregada em filtros de ar com alta eficiência na separação de partículas, basta jogar o termo no Google para encontrar opções à venda. O vídeo tem pouco mais de 2 minutos.

Testes na Universidade do Missouri mostram que sacos de aspirador de pó têm uma retenção de 60 a 87% das partículas e podem ser usados para fabricar máscaras caseiras — alguns modelos e marcas, no entanto, são mais duros e apresentam fibras de vidro em sua composição, neste caso não podendo ser usados.

Para averiguar a qualidade dos tecidos, pesquisadores usaram o tamanho de 0,3 mícrons como padrão, pois é a medida usada em testes para máscaras médicas.

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