Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês

Dr. Bactéria faz até 6 lives com dicas de higiene contra o coronavírus

O fiscal de higiene mudou sua rotina para atender os 430 000 seguidores no Instagram e faz até seis lives por dia para esclarecer dúvidas sobre a pandemia

Por Guilherme Queiroz Atualizado em 11 Maio 2020, 10h31 - Publicado em 8 Maio 2020, 06h00

Não é de hoje que Roberto Figueiredo, 65, o Dr. Bactéria, é conhecido pelas dicas sobre os perigos microscópicos que ameaçam a segurança de nossos lares. Quem já deixou de colocar o ovo na porta da geladeira após assistir ao seu antigo quadro no Fantástico, da Globo? Foi lá que ele ganhou o apelido, e, com a pandemia de Covid-19, Figueiredo se dedicou a se tornar uma espécie de guru do assunto da vez. Entre março e abril fez 81 lives sobre o tema no Instagram. E em algumas delas está acompanhado. Fez transmissões, por exemplo, com o ator Fábio Porchat, o apresentador Geraldo Luis e a cantora Sula Miranda, sempre tirando dúvidas sobre o coronavírus. “Chego a responder a 200 das mais de 2 000 perguntas que recebo por dia. Muitas sobre as compras do supermercado e o que fazer ao chegar em casa”, diz ele, que celebra a “moda da higiene” e ganha o público ao passar informações importantes em linguagem divertida.

Desde o início da pandemia, o biomédico conta com um crescimento de até 5 000 seguidores diariamente. “Considero isso aqui uma loucura. Virei um blogueirinho”, brinca. “Chego a ter seis lives em um dia. É algo de que eu gosto, eu me sinto bem fazendo.” Mas não são apenas as horas no celular que tomam seu tempo. Figueiredo acorda diariamente às 4h30 e seu café da manhã são os informativos da Organização Mundial da Saúde, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA e do Ministério da Saúde. “Um link leva a outro e, quando você vê, ficou horas se atualizando”, afirma ele, que possui contrato com a Record TV, onde faz participações nos programas jornalísticos da emissora.

Veja SP/Veja SP

Mas o leitor pode se perguntar: o que o Dr. Bactéria tanto fala sobre vírus? “Sou formado em biomedicina e especializado em microbiologia, o que engloba fungos, bactérias, vírus, vermes.” Figueiredo também tem especialização em saúde pública e é conselheiro do Conselho Regional de Biomedicina. Nascido em Ribeirão Preto, já morou em Campinas e Santos, até que se fixou em São Paulo. “Meu pai trabalhava na Clipper (antiga rede de lojas de vestuário), nós nos mudávamos muito.” Ele se formou em 1980 na Universidade Santo Amaro e foi estagiar no laboratório do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, onde conheceu a esposa, Rita de Cássia, 62. Em 1985 eles fundaram juntos a Microbiotecnica, laboratório de análises.

+Assine a Vejinha por apenas R$ 6,90/mês

Foi no início dos anos 2000, quando começou a lançar livros sobre as doenças adquiridas por “hábitos equivocados” na rotina, como usar a mesma esponja de lavar louça por mais de uma semana, que ganhou popularidade. “O primeiro programa de que participei foi o da Olga Bongiovanni, na Band, em 2001”, lembra. Depois da aparição, foi chamado para a atração de Amaury Jr. na Rede TV!. “Foi ele (Amaury) que me apresentou ao Jô Soares, minha primeira entrevista na Globo foi um marco na minha carreira.” Seu jeito extravagante de explicar os perigos microscópicos que moram nos detalhes do cotidiano chamou a atenção das emissoras. “Eu sou o personagem Dr. Bactéria. Sempre tive prazer em ver as pessoas modificar hábitos pelas minhas dicas.”

A administração do laboratório ficou por conta da esposa. “Quase não vou lá”, diz ele, que mora em um condomínio em Barueri com Rita e dois dos três filhos. Afirma que não tem ganhos financeiros com a dedicação às redes sociais. “Tem um curso que fiz há alguns anos sobre cuidados com a higiene em casa e está praticamente de graça (19,99 reais). Coloquei o link no meu Instagram. É cobrada apenas a taxa da plataforma”, informa. “O desconhecimento dá medo, por isso tento levar o máximo de informação. Covid-19 é uma doença sobre a qual surgem coisas novas todo dia. Não tenho vergonha nenhuma de mudar de opinião”, finaliza Figueiredo, que até o início do ano não aconselhava o uso de máscara e agora pensa diferente.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 13 de maio de 2020, edição nº 2686.

 

Continua após a publicidade
Publicidade