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A união da minha família me fez amadurecer, diz Rebeca Andrade

Atleta paulista, campeã da ginástica artística e destaque das Olimpíadas de Tóquio, tem na mãe e nos irmãos a base de seu sucesso

Por Tatiane de Assis 11 ago 2021, 13h05

No sábado (7), a ginasta brasileira Rebeca Andrade conversou por vídeo com a reportagem da VEJA SÃO PAULO. Eram 23h, ela se preparava para a cerimônia de encerramento das Olimpíadas. No bate-papo, Rebê — apelido carinhoso que recebeu dos colegas no Ginásio Bonifácio Cardosos, em Guarulhos, onde começou iniciou sua carreira — falou de seus primeiros passos no esporte, dos treinos na pandemia e também das dificuldades enfrentadas, que ela lida com resiliência e foco. Veja os principais trechos da entrevista com a atleta do Flamengo:

 

VEJA SÃO PAULO – Você se lembra da sensação de quando pisou pela primeira vez no ginásio Bonifácio Cardoso, em Guarulhos?

Rebeca Andrade – Não lembro muito, porque eu era bem novinha, mas posso imaginar, era como um parque, tinha cama elástica, eu podia correr, subir onde eu quiser. 

VSP – Houve um período em que você parou de ir às aulas porque não tinha como pagar os ônibus para chegar até lá. Quem te ajudou a retornar aos treinos?

RA – A Kelly e o Chico (antiga e atual treinador) me apoiaram muito. A coordenadora, a Ana Cecília Zarantonelli também, teve uma época que eu morei com ela, foi muito legal. Meu irmão me levava de bicicleta, a pé, de vários jeitos. Como eu era pequena, eu também pulava catraca. Tinha o Zé Maria, que hoje é falecido. Ele morava um pouco mais longe e pegava o mesmo ônibus que eu. Eu esperava com meus irmãos no ponto até passar a condução que ele estava. Subia e fazia o resto do caminho, com ele me protegendo. Teve a Cíntia (Lobato Sigrist) também, que se disponibilizou para os meus gastos, lá, no Flamengo, e, em Curitiba, em parte. Ela foi um anjo, me dava collants para eu me apresentar, coisa que eu não podia comprar. Ela que pagava os tratamentos para cabelo, que eu fazia no Beleza Natural. 

Rebeca Andrade dando um salto
A ginasta durante prova: na preparação, ela faz orações, fala com a família e ouve música Júlio César Guimarães/COB/Divulgação

VSP – De que forma essas dificuldades financeiras te impactavam?

RA – Elas não me frustravam, não, porque sabia se que minha mãe não tinha condições Se ela tivesse, me ajudaria mais. É muito legal ter bens materiais, mas ter pessoas que te apoiam, se orgulham de você, independente de você ganhar ou não, é mais importante. A união da minha família me fez amadurecer. Quando a coisa aperta, é para eles que eu corro. Não preciso de nada extravagante. 

VSP – Você experimentou outras modalidades de ginástica que não a artística?

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RA – Sim, eu fazia todas as aulas. Era muito sapeca. E levava bronca, porque eu era  boa mesmo na artística. Mas eu tinha muito energia, fazia rítmica, acrobática.

VSP – Como foi sua rotina de treinos durante a pandemia?

RA – Usei muito a sacada do meu apartamento para fazer os exercícios, mas só agora, porque treino para mim é no ginásio mesmo. Normalmente, fico em casa dançando e cantando.

VSP – Faz aulas de piano também?

RA – Não, eu aprendo tudo vendo vídeo. Daí, vou no teclado. Mas eu não sou muito boa, não. Tenho que treinar bastante para a música sair. Mas é tudo no olho mesmo. 

Rebeca e seu técnico, Chico Porath, com a bandeira do Brasil na frente
Com o técnico, Chico Porath: parceria desde Guarulhos Ricardo Bufolin/CBG/Veja SP

VSP – Como é sua preparação antes dos treinos?

RA – Eu sempre oro, é algo que me deixa confortável, confiante, algo que acredito. Às vezes, eu falo com a minha mãe ou com a minha irmã, pra espairecer. Quando estou arrumando meu cabelo e colocando minha roupa, eu escuto uma música. Já na entrada do aparelho, falo para mim mesma frases positivas: “Vamo lá, Rebê, você já fez essa série milhares de vezes. Você só precisa dar o seu melhor. Independente do que aconteça, você vai ficar bem.”

VSP – Em algum momento, você pensou em desistir?

RA – Não que eu me lembre. Quando aconteceram as lesões, sim, porque foram baques. Então, é aquela coisa do calor do momento. Depois que essa parte passa, que eu faço a cirurgia, eu vejo que vai ficar tudo bem. Talvez eu tenha falado para minha mães uma vez, fora as lesões, que queria voltar para casa. Mas às vezes, é que eu tinha brigado com uma amiguinha. E depois, voltava a ligar, dizendo: “Mãe, eu quero queria ficar.”

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