Ex-piloto do Cessna diz que Campos fez voo-teste com avião
Aeronave tinha apenas 300 horas de voo quando presidenciável começou a usá-lo; modelo é comum no Brasil e considerado seguro
O advogado e piloto particular Fabiano de Camargo Peixoto, de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, voou durante um ano e meio o jato Cessna 560XL de prefixo PR-AFA que caiu nesta quarta-feira (13), matando o presidenciável Eduardo Campos (PSB) e outras seis pessoas. Ele afirma que a aeronave era “top de linha” e que o próprio Campos fez questão de participar do voo de demonstração antes de incorporar o equipamento à campanha.
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Peixoto tem um escritório de advocacia em Ribeirão e é dono de um avião de pequeno porte. Voa por hobby desde 1993 e, nas horas vagas, também presta serviço como piloto para empresas. Uma delas é o Grupo Andrade, que arrendava o Cessna para a campanha de Eduardo Campos. A aeronave foi fabricada em 2010 e comprada diretamente da fábrica nos Estados Unidos. Chegou ao Brasil em 2011. “Fiz voos de lazer com os donos da empresa e também de negócios. Operei a aeronave entre janeiro de 2013 e maio de 2014 e posso afirmar que nunca deu problema”, conta.
A última vez que Peixoto comandou o Cessna foi justamente com Eduardo Campos. Sua equipe demonstrou interesse em usar a aeronave para os compromissos de campanha e pediu à empresa um voo de demonstração. Em maio de 2014, o jatinho saiu de Ribeirão Preto em direção a São Paulo para buscar Campos e sua equipe. Foram para Uberaba e Uberlândia, em Minas Gerais, e depois retornaram à capital paulista. “Eles adoraram o avião e decidiram ficar.” Um Cessna 560XL novo vale 11 milhões de dólares; Peixoto não sabe quanto a equipe de Campos pagou pelo equipamento nem quanto tempo iriam usá-lo.
Como fazia trechos curtos e era usado esporadicamente, o Cessna tinha apenas 300 horas de voo em maio, quando passou às mãos da campanha de Campos. “Era novíssimo e muito seguro. O modelo é um top de linha do fabricante.”
Empresa
Procurados, os donos do Grupo Andrade não foram localizados. Os proprietários da empresa, que atua no setor sucroalcooleiro, são José Carlos Andrade e os filhos Alexandre e Fabrício Andrade. De acordo com um ex-piloto do grupo – que prefere não ter seu nome divulgado por ter se desligado recentemente da empresa -, o presidenciável não levou pilotos do Grupo Andrade para trabalhar com ele e preferiu contratar os profissionais. “Não os conheço, mas sei que eram profissionais experientes e da confiança de Campos”.
Pilotos e aeronave
Os pilotos que conduziam a aeronave durante o acidente são o comandante Marcos Martins, 42, e copiloto Geraldo Magela Barbosa da Cunha, 44, que também trabalhou na TAM em 2006 na mesma função. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os dois tinham habilitação para Piloto de Linha Aérea (PLA) e mais de 1 500 horas de voo cada um. O avião também estava com a licença em dia, diz a Anac.
O Cessna é uma marca de jatinhos executivos muito popular no Brasil, com 3 731 aeronaves registradas. O modelo do acidente, o 560XL, tem 44 exemplares no país. A Anac diz que esse modelo nunca sofreu nenhum acidente, mas teve dois incidentes sem gravidade registrados no último ano. A agência não especifica quais foram.
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