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Na SP-Arte, artista vai sustentar obra de até meia tonelada

Performance de Paul Setúbal vai ocorrer durante a realização da feira, por cerca de 45 horas

Por Tatiane de Assis - Atualizado em 26 Mar 2018, 11h15 - Publicado em 23 Mar 2018, 18h39

O artista Paul Setúbal apresenta a performance Compensação por Excesso na 14ª edição da SP-Arte, que acontece de 11 a 15 de abril, no Pavilhão Cicillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera (o primeiro dia de visitação é reservado a imprensa e convidados). A proposta do trabalho é ousada: por meio de cordas presas ao seu corpo, ele vai suspender duas obras de grande porte. Uma delas terá cerca de meia tonelada.

Ainda em processo de produção, Setúbal não revela quais obras terá que sustentar com seus músculos e nervos, à custa de muita concentração. Ele revela que os pré-requisitos para seleção das peças foram a sua importância histórica, a cotação elevada no mercado de arte e a autoria de artistas que já morreram.

O artista adianta também o funcionamento da estrutura que possibilitará içar as peças.  “Vamos usar um sistema de roldanas, algo que é muito simples e primitivo. Ele permite uma redução do peso da obra, porém, a peça sempre ganha, imagina a responsabilidade de equilibrar uma coisa de meio milhão de reais?”, questiona Setúbal.

 

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Projeto que traz um pouco funcionamento da estrutura que suspenderá as peças Paul Setúbal/Divulgação

Compensação por Excesso é parte do setor de performances da SP-Arte que, em 2018, tem a curadoria da também artista Paula Garcia. Ela selecionou cinco projetos que exploram diferentes questões. São eles: Dança Estranha e Só Se Me Dormirem, de Karla Girotto, Debris, do coletivo Protovolia, formado por Jéssica Goes e Rafael Abdala, Aphotecary, de Gabriel Vidolin e Insira uma legenda…, do Brechó Replay.

Os trabalhos serão realizados em um espaço de 220 metros quadrados, no segundo piso do prédio projetado por Oscar Niemeyer. Esse “isolamento” tem caráter experimental, explica Paula: “Não vai ter uma separação entre um e outro, vai ser um espaço de vivência. Quando eu falava com artistas, a primeira coisa que eu perguntava é se eles topavam esse desafio.  Cada projeto tem sua ação, conceito e protocolo, mas eles vão se afetar durante esses cinco dias”.

A proposta também inclui a permanência dos artistas no espaço durante o horário de funcionamento do evento, o que corresponde a mais de 45 horas ao todo e, em média, nove horas por dia. As regras dessa presença, no entanto, são negociáveis. De acordo com a necessidades físicas e psicológicas é, possível, por exemplo ir ao banheiro.

 

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Detalhe das roldanas que fazem parte da estrutura Paul Setúbal/Divulgação

Setúbal não pretende usar esses momentos de exceção e tem se preparado para, caso sinta necessidade, até dormir por lá. Para conseguir isso, além de muita estratégia, ele tem trabalhado a região lombar, parte do corpo que, acredita, será mais será afetada durante o processo.

Quando perguntado se vai aguentar todos os dias, ele, nem de longe, banca o Super Homem: “Não sei até que ponto meu corpo vai segurar todo esse processo. É uma experiência-limite. O que é mais bonito é que eu vou lidar com ela na hora. Posso testar a estrutura durante uma, duas, três horas, mas não adianta. Quando tudo começa, o trabalho vira outra coisa”.

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