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“Somos o menor casal do mundo”

Katyucia e Paulinho se conheceram em comunidade para pessoas com baixa estatura e hoje em dia compartilham sua rotina nas redes sociais

Por Paulo Gabriel da Silva Barros, em depoimento a Fernanda Campos Almeida Atualizado em 30 set 2021, 21h36 - Publicado em 1 out 2021, 06h00

“Conheci Katyucia no antigo Orkut. Ela também participava de uma comunidade para pessoas de baixa estatura chamada Gente Pequena. Enviei um convite de amizade na rede social e ela aceitou. A conversa passou para o MSN, mas ela me bloqueou. Katyucia conta que fez isso porque achou que minhas cantadas eram baratas demais. Ela só foi me desbloquear depois de um ano e meio, em 2008. Dessa vez o papo foi diferente. Conversamos sobre direito. Eu estava no final do curso na faculdade e ela, no início.

Katy morava em londrina, no Paraná. São 350 quilômetros de distância até minha cidade, Itapeva, no interior de São Paulo. Um dia, peguei o carro e fui encontrá-la escondido. Minha carteira de habilitação era nova e nunca tinha viajado sozinho antes. Ainda morava com meus pais e eles só não me mataram quando descobriram porque eu consegui voltar vivo.

Katy ficou com vergonha de me encontrar. O pai dela insistiu dizendo ‘o garoto veio de tão longe só para te ver’. Brinco que, se ele soubesse que nos casaríamos, nunca teria insistido. Fui o primeiro amor da vida dela.

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Ela me encontrou no estacionamento do hotel em que fiquei hospedado. Katy continuava tão envergonhada que não conseguia olhar nos meus olhos. Confesso que foi amor à primeira vista. Fomos almoçar e andar no Lago Igapó, ponto turístico da região.

Eu voltei para casa na manhã seguinte. Avisei por telefone que, na próxima vez que a encontrasse, faria uma pergunta e ela teria de responder. Eu pretendia pedi-la em namoro pessoalmente, mas não conseguíamos nos encontrar. Acabou sendo por telefone. Depois de um mês, ela foi até Itapeva para minha formatura. No mês seguinte, também veio me ver escondida dos pais. Nossa relação a distância durou quatro anos. Nós nos víamos a cada dois ou três meses, era difícil. Na chegada, era só felicidade, mas os dois sofriam na despedida.

Paulinho e Katyucia em seu casamento, sorrindo para a foto com copos na mão. ele está de terno e ela de vestido branco. há muitas flores atrás deles
Katyucia Barros e Paulinho Gigante contam sobre sua rotina no Youtube e interagem com seus fãs pelo Instagram Reprodução/Arquivo Pessoal/Veja SP

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Depois de formada, ela decidiu vir morar comigo em Itapeva. Katy me pediu em casamento porque somos da igreja e acreditamos no princípio de que quem quer receber as bênçãos do céu tem de se enquadrar nas leis da terra.

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Nossa cerimônia foi em 2016 e logo depois começamos a sair na mídia. Um funcionário do Guinness World Records entrou em contato com a gente. Depois de uma medição oficial, entramos na categoria de menor casal do mundo. Eu tenho 90 centímetros e ela, 91. Viajamos juntos para Londres para receber o título.

katy e paulinho de roupa social (ele de terno e ela de vestido branco) em londres posando para foto com recorde do guinness enquadrado de menor casal do mundo
Recorde mundial: Katy e Paulinho são o menor casal do mundo, certificado do Guinness World Records Reprodução/Arquivo Pessoal/Veja SP

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Em 2018, ganhamos uma reforma da produção do programa do Rodrigo Faro. Nossa casa foi completamente adaptada. Todos os interruptores, torneiras, pias, maçanetas foram instalados pensando em nossa altura. O mundo não foi criado para nós e o segredo da vida é a adaptação. Acabamos inspirando as pessoas na internet a viver sua melhor versão.

A Katy, vaidosa, havia criado um blog de moda chamado Mini Charme do Dia, que não existe mais. Depois começou um canal no YouTube sobre nossa rotina. No começo, eu era tímido e não queria participar, mas fui tomando gosto pela coisa e agora estamos em todas as redes sociais. Adoramos ir a uma boa padaria e ficar horas sentados, tomando café e conversando. Nossas ideias para criação de conteúdo nascem assim.

Quando abrimos uma caixinha de perguntas no Instagram (@omenorcasaldomundo), oito em cada dez dúvidas são relacionadas a filhos. Queremos ter, mas ainda não temos uma data para isso. Ainda não sabemos se será gerado — a gravidez da Katy pode ser de risco — ou se adotaremos.”

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Publicado em VEJA São Paulo de 6 de outubro de 2021, edição nº 2758

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