Pinacoteca inaugura primeira individual de Beatriz González no Brasil
Retrospectiva inédita ocupa edifício Pina Luz e reúne mais de 100 trabalhos produzidos desde os anos 1960, incluindo obras importantes
A Pinacoteca inaugura neste sábado (30) a exposição Beatriz González: a imagem em trânsito, primeira mostra individual da artista colombiana no país. Com curadoria de Pollyana Quintella e Natalia Gutiérrez, a retrospectiva ocupa sete salas do edifício Pina Luz e reúne mais de 100 trabalhos produzidos desde os anos 1960, incluindo obras importantes como Decoración de interiores (1981) e Los suicidas del Sisga II y III (1965).
A exposição revisita os mais de 60 anos de carreira da artista, conhecida pelos trabalhos que tecem críticas à violência na Colômbia, dialogam com a iconografia política, popular e religiosa do país e reinterpretam trabalhos icônicos da arte ocidental.
Logo no início, o público encontra peças que problematizam a mídia e reprodução da imagem artística, como a cortina serigrafada Decoración de interiores (1981), em que a figura do presidente colombiano Julio César Turbay Ayala é repetida como padrão decorativo — uma ironia sobre a superficialidade do poder.
Em Los Suicidas del Sisga (1965), a artista utilizou como referência uma fotografia publicada nos jornais El Espectador e El Tiempo, que registrava o duplo suicídio de um jovem casal, em uma análise de códigos da crônica policial e da comunicação de massa.
Outro núcleo é dedicado às intervenções em mobiliários, transformados em suportes pictóricos para imagens populares e religiosas.
Entre as reinterpretações de clássicos da pintura europeia está Sea culto, siembre árboles regale más libros (1977), uma releitura da obra Mulheres no jardim (1866-67), de Claude Monet, pintada a partir de uma reprodução desbotada.
Beatriz González (1932, Bucaramanga) questionou ideais de bom gosto, kitsch e cultura popular ao mesclar ícones religiosos, mídia de massa e pintura vernacular, sempre em confronto com a história político-social colombiana. Ficou conhecida por intervir com pintura em itens cotidianos como camas, mesas e televisores, deslocando a linguagem pictórica de seu suporte tradicional.
Sua única participação anterior no Brasil foi na 11ª Bienal de São Paulo, em 1971.
Caso Ângela Diniz: o que aconteceu com Doca Street depois de matar namorada?
Quem foi Ângela Diniz e por que sua história atrai tanta atenção?
Mãe da atriz Mel Maia de ‘Donos do Jogo’ morre aos 53 anos no Rio
Casarão na Avenida Paulista vira Casa do Natal do Boticário
‘O Filho de Mil Homens’ transborda poesia com Rodrigo Santoro em destaque





