Feriado sob o céu da Andaluzia

Com povoados de beleza monumental, a região de Sevilha fica ainda mais vibrante na Semana Santa

Por Vanessa Barone
Atualizado em 5 abr 2025, 12h49 - Publicado em 5 abr 2025, 06h00
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Metropol Parasol, conhecido como Setas de Sevilla: mirante e centro cultural (Las Setas de Sevilla/Divulgação)
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Visitar a Andaluzia, no sul da Espanha, dispensa pretextos. Essa bela e solar região da Espanha merece uma ida e vários retornos, para captar esse estilo de vida tão peculiar, que reúne boemia, drama e religiosidade. E arte. E ruínas históricas. Ou seja, motivos não faltam. Então, com a proximidade da data, inclua mais um: assistir a uma das expressões culturais mais importantes do país ibérico: a Semana Santa.

O roteiro perfeito para os sete dias de eventos religiosos tem Sevilha e dois povoados a menos de 100 quilômetros de distância, que valem a visita: Osuna e Carmona. Durante o feriado católico, Sevilha estará a todo o vapor, com procissões ocorrendo pelas ruas, em um ritmo intenso. Entre as mais tradicionais, está a Madrugá, cortejo noturno que vai até o amanhecer. A Semana Santa de Sevilha estruturou a história e os costumes da cidade desde a Idade Média, como informa o Portal Oficial de Turismo da Espanha.

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Vitrine de trajes de Flamenco, em Sevilha: tradição valorizada (Vanessa Barone/Veja SP)

Quem preferir apreciar arte sacra e palácios históricos, não pode perder o Museu de Belas-Artes. Instalado no antigo Convento de la Merced Calzada (do século XVII), seu acervo reúne obras que vão do gótico às correntes artísticas do século XX. Em suas salas, estão expostas obras de pintores como El Greco, Velázquez e Alonso Cano.

Vale incluir na viagem outros pontos imperdíveis, como o Palacio de Las Dueñas, erguido no século XV e ex-residência oficial da duquesa de Alba (1926-2014), com seu jardim e acervo preciosos; o Centro Andaluz de Arte Contemporânea (CAAC); e a CaixaForum, centro cultural inaugurado em 2017, na região de Puerta de Triana.

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Exposição ‘Sturtevant: The Echo of Innovation’, Elaine Sturtevant (1924-2014): exposição no CAAC (Vanessa Barone/Veja SP)
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Imperdível também é visitar Metropol Parasol, construção de madeira que lembra cogumelos e, por isso, ganhou o apelido de Las Setas. Misto de mirante e centro cultural, projetado pelo alemão Jürgen Mayer e inaugurado em 2011, o cartão-postal permite uma vista deslumbrante da cidade e a constatação de que Sevilha é mesmo um lugar para voltar várias vezes.

 

A pequena notável Osuna

Localizada a 87 quilômetros de Sevilha está a província de Osuna, povoado pequeno, mas cheio de história, que pode ser visitado em um dia, saindo da capital andaluz de trem ou ônibus. O autêntico pueblo espanhol, com 18 000 habitantes, remonta ao século IX a.C. e teve o seu apogeu entre os séculos XVI e XVII. A Semana Santa é a maior festa religiosa da cidade e um patrimônio da Andaluzia. As procissões começam no Domingo de Ramos (13 de abril) e seguem até o Domingo de Páscoa (20), percorrendo as estreitas ruas da cidade, conforme programação em turismodeosuna.es/semana-santa.

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El Coto Las Canteras, em Osuna: jazida de arenito calcário, da Antiguidade, que virou centro cultural (Vanessa Barone/Veja SP)

Mas quem não quiser acompanhar os eventos religiosos pode aproveitar para conhecer pontos imperdíveis e pouco explorados pelo turismo de massa. São eles a antiga Escuela Universitaria de Osuna, a Colegiata Nª Sra. de la Asunción e El Coto Las Canteras. Esse último é uma antiga jazida de arenito calcário, que existe desde a Antiguidade e hoje é um espaço para eventos e visitação. Considerada uma joia arquitetônica do Renascimento, a igreja Colegiata de Osuna foi construída no século XVI e impressiona pelo exterior austero em contraste com a riqueza artística de seu interior. O altar principal exibe uma impressionante obra barroca do século XVIII, que merece um olhar demorado. A antiga Escuela Universitaria, com sua arquitetura de herança árabe, completa o passeio obrigatório nessa cidadezinha para conhecer sem pressa.

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Em 2014, o povoado ganhou fama por servir de cenário para a série Game of Thrones. A Plaza de Toros (local de touradas) foi transformada na Arena de Meereen, de onde a personagem Daenerys Targaryen (a atriz Emilia Clarke) foge com o seu dragão, no final da quinta temporada. O local, claro, virou ponto turístico. E não só ele, mas também o Hotel Palacio Marqués de la Gomera (Calle San Pedro, 20), que hospedou a equipe do seriado na época e ainda exibe fotos na entrada. Casa-palácio do século XVIII, o prédio do hotel mantém a fachada barroca original e os tetos com vigas e arcos de pedra, e fica localizado a 500 metros do anfiteatro romano de Osuna.

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Pátio central do Hotel Palacio Marques de la Gomera: escolhido pela equipe de ‘Game of Thrones’ (Vanessa Barone/Veja SP)

 

A plural Carmona

Localizada na várzea do Rio Corbones, a 30 quilômetros de Sevilha, Carmona é uma verdadeira joia, com suas muralhas ao redor da cidade e vestígios dos diferentes povos que ali habitaram. Sua origem remonta ao período Neolítico, mas Carmona já foi habitada por tartessos (povo da Península Ibérica que viveu entre os séculos IX e V a.C.) e, posteriormente, se tornou uma colônia fenícia. Séculos depois, foi a vez de romanos e árabes se estabelecerem no vilarejo — e deixarem marcas por lá.

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Alcázar de la Puerta de Sevilla: 5 000 anos de história (Vanessa Barone/Veja SP)
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As procissões da Semana Santa ocorrem pelas ruas estreitas, em um espetáculo que une devoção religiosa e riqueza artística. Entre as imagens sacras mais importantes, que saem em cortejo, está O Senhor da Amargura, realizada em 1521 por Jorge Fernández Alemán. Carmona pode ser visitada em um dia só, com acesso feito a partir de Sevilha por estrada.

Uma boa ideia é começar pelo Alcázar de la Puerta de Sevilla e suas impressionantes construções feitas para a defesa local. O Alcázar foi restaurado nos anos 1970 e hoje recebe eventos culturais e turísticos. Atualmente funciona como sede do Centro de Recepção Turística.

Imperdível também é o Museo de la Ciudad de Carmona, que revela a história do povoado e reúne vestígios arqueológicos dos períodos Paleolítico, Calcolítico, Turdetano, Tartessiano e Romano. Entre os destaques da coleção de objetos antigos, estão ânforas adornadas com criaturas mitológicas (grifos), da época fenícia.

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Ânfora da época fenícia, no Museo de la Ciudad de Carmona: história preservada (Vanessa Barone/Veja SP)
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Para o almoço, a pedida é o restaurante Parador de Carmona (Alcázar, s/nº ), dentro do hotel de mesmo nome que ocupa o Alcázar de D. Pedro, construção do século XIV. Especializada na culinária da região, a casa serve pratos locais e sazonais, como o bacalhau confitado com alecrim e purê de batata e salmorejo (sopa fria e consistente, similar ao gaspacho). Com pé-direito alto, o lugar ainda oferece uma bela vista da planície.

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Convento das Irmãs Pobres de Santa Clara: doces artesanais (Vanessa Barone/Veja SP)

Mas é bom guardar espaço para provar os doces feitos e vendidos pelas Clarissas de Carmona: freiras do Convento das Irmãs Pobres de Santa Clara. Entre os mais elogiados estão as almendradas (biscoitos de amêndoas e claras), as palmeras (versão andaluz da francesa palmier) e a torta inglesa — que, apesar do nome, é típica da cidade —, feita de pão de ló, cabelo de anjo (espécie de compota de frutas) e massa folhada fina e crocante, coberta com açúcar, canela e afeto.

(A repórter viajou a convite do Turismo de Andaluzia e do Turismo de Sevilha)

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