Conheça o paleoartista que desenha dinossauros de modo fiel

Para reconstruir um dinossauro em suas obras, Ariel Milani Martine se baseia na descrição científica do animal

O filme Jurassic Park (1993), dirigido por Steven Spielberg, mesmo digno do Oscar de melhores efeitos especiais, traz várias cenas que não correspondem à realidade, segundo Ariel Milani Martine, 40, paleoartista brasileiro há mais de duas décadas. Doutor em aracnídeos fósseis e professor de paleontologia, o paulistano desenha — com aquarela, tinta acrílica ou a óleo — dinossauros e todo tipo de espécie pré-histórica do modo mais fiel possível. “Temos estudos biomecânicos de ossos que revelam que os animais nunca poderiam estar naquelas posições ou exibir alguns comportamentos. Mesmo para entretenimento, os erros do Jurassic Park são piores quando cometidos de forma realista, pois passam a ideia de verdade absoluta”, acredita.

Paleoarte Algumas de suas obras: espécies pré-históricas da região atual do Ceará retratadas do modo mais fiel possível

Algumas de suas obras: espécies pré-históricas da região atual do Ceará retratadas do modo mais fiel possível (Rogerio Pallatta/Veja SP)

Para reconstruir um dinossauro em suas obras, Martine se baseia sempre na descrição científica do animal. Quando incompleta, como no caso do brasileiro Aeolosaurus maximus, a saída ao fazer a sua ilustração foi utilizar um tipo parecido para preencher as lacunas, o Aeolosaurus rionegrinus, da Argentina. “A paleoarte consiste no trabalho, associado à ciência, de reconstruir o aspecto em vida de organismos extintos. Deve-se errar o menos possível.”

Paleoarte Todos os seres e comportamentos retratados foram baseados em artigos científicos

Todos os seres e comportamentos retratados foram baseados em artigos científicos (Rogerio Pallatta/Veja SP)

O interesse do profissional pelo assunto surgiu na infância, e seu trabalho se destina a publicações científicas e museus, em especial particulares. Em abril, suas esculturas de fósseis, outra área de atuação dele, ficarão expostas no Zooparque Itatiba. “Pesquisadores e artistas estão aí, o que falta são recursos.”

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 12 de fevereiro de 2020, edição nº 2673.

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