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Primeira ‘biblioteca gay’ de São Paulo abre as portas no Centro

Com mais de 300 livros de fotografia homoerótica, acervo reúne obras raras e títulos que retratam o corpo masculino e o imaginário gay

Por Humberto Abdo
Atualizado em 7 out 2022, 13h30 - Publicado em 7 out 2022, 06h00

Mais de 300 livros integram a nova Biblioteca de Arte Homoerótica Hermano Almeida, a primeira do gênero em São Paulo. “E a primeira no Brasil”, garante Paulo Cibella, que deu início ao acervo após descobrir uma preciosa coleção no Recife.

Fundado com o artista plástico Leonardo Maciel, o espaço abre as portas em 15 de outubro, no Edifício Vera, do Centro. O 7º andar abriga a sede do Vórtice Cultural, que reúne oficinas, palestras e exposições, como o Salão de Arte Homoerótica — cuja edição de estreia, em junho deste ano, serviu de pontapé inicial para a biblioteca.

“Com a divulgação do salão, descobrimos a coleção de Carlos Hermano Brasil de Almeida, falecido em 2016. Arquiteto e advogado, ele passou três décadas reunindo esculturas, quadros, obras de arte e livros gays, que acabaram guardados no porão de uma boate!”, resume Paulo.

Capa do livro Alair Gomes com latas de tinta ao redor.
Alair Gomes: um dos títulos na Biblioteca Homoerótica do Vórtice Cultural. (Leo Martins/Veja SP)

Em uma das salas do centro cultural, a dupla vai manter as centenas de livros dedicados aos fotógrafos que registraram o universo gay masculino a partir dos anos 1990.

Fazem parte da lista nomes como Tom of Finland, conhecido pelos desenhos de homens musculosos e desinibidos, que se tornaram um retrato das fantasias e do imaginário homoerótico. Outro exemplo emblemático é o brasileiro Alair Gomes, que se especializou em nus masculinos e tinha o hábito de fotografar moços atraentes pelas praias cariocas.

“Como ele não vendia seu trabalho e sempre dava as fotos para os modelos, hoje essas imagens podem valer uma fortuna e estão espalhadas por aí.”

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A coletânea varia de publicações comerciais a títulos lançados por pequenas editoras, como a Bruno Gmünder, criada em 1981 na Alemanha. Hoje a maioria dos títulos, segundo Paulo, está fora de circulação e pode chegar a custar alguns milhares de reais em sebos.

Foto exibe detalhes da lombada de vários livros, um deles rosa.
Mais de 300 livros compõem repertório de nova biblioteca gay no Centro. (Leo Martins/Veja SP)

Um dos achados mais curiosos é o catálogo de moda da americana Abercrombie & Fitch, famosa pelas campanhas repletas de homens sem camisa em poses sugestivas. “Hoje a marca foge dessa proposta, mas um livro desses se tornou raridade, ainda mais com os ensaios de Bruce Weber.”

Pelo valor inestimável desse repertório, a biblioteca vai funcionar apenas com agendamentos de segunda a sexta (pelo e-mail biblioteca@vorticecultural.com), com as obras disponíveis para consulta.

“Torço para atrairmos artistas, fotógrafos e estudantes que buscam enriquecer suas pesquisas”, diz Leonardo. “Com o tempo faremos novas aquisições e nessa abertura também vou incluir cinquenta livros da minha coleção própria”, acrescenta Paulo. “O mercado de publicações homoeróticas tem vivido uma boa retomada fora do país, mas no Brasil é quase inexistente. Queremos incentivar esse movimento.”

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Três fileiras de livros de pé em estante preta aparecem em destaque com a parede branca.
Biblioteca Homoerótica: visitas por agendamento de segunda a sexta. (Leo Martins/Veja SP)

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Publicado em VEJA São Paulo de 12 de outubro de 2022, edição nº 2810

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