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Os três vídeos mais visualizados contra a cultura do estupro

Na terça (31), o projeto de lei do Senado 618/215, que endurece as penas para o crime de estupro, foi aprovado por unanimidade. Nele, a condenação para os casos de violação coletiva (cometida por duas ou mais pessoas) pode chegar a dezesseis anos e oito meses de prisão, quatro anos a mais que a penalidade máxima […]

Por Ana Carolina Soares
Atualizado em 26 fev 2017, 11h39 - Publicado em 1 jun 2016, 18h29
Os vídeos da campanha #WomenNotObjects voltaram ser compartilhados nesta semana

Os vídeos da campanha #WomenNotObjects voltaram ser compartilhados nesta semana

Na terça (31), o projeto de lei do Senado 618/215, que endurece as penas para o crime de estupro, foi aprovado por unanimidade. Nele, a condenação para os casos de violação coletiva (cometida por duas ou mais pessoas) pode chegar a dezesseis anos e oito meses de prisão, quatro anos a mais que a penalidade máxima prevista atualmente, de doze anos e meio. Além disso, transmitir imagens de estupro pela internet também poderá dar cadeira.

+ Polícia investiga estupro em festa de evento universitário em Sorocaba

Até então, o Código Penal estabelecia para esse tipo de violência extrema a pena de reclusão de seis a dez anos. O texto, que modifica a pena em caso de estupro cometido por duas ou mais pessoas, ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados.

Os senadores também mudaram o texto da lei para tornar crime, punido com dois a cinco anos de prisão, a publicação do conteúdo que contenha cena de estupro por qualquer meio, inclusive pela internet. A mudança preencherá um vazio legal, já que atualmente essa divulgação é punida com até seis meses, como injúria.

Sobre o caso do estupro da jovem de 16 anos, que motivou a celeridade na votação do projeto, houve a sugestão de uma campanha com hashtag #deleteovídeodameninadorio. O objetivo é parar com a divulgação das imagens desse episódio monstruoso.

Na última semana, várias mensagens contra a cultura do estupro circularam pela internet e as redes sociais. A seguir, os vídeos mais curtidos e compartilhados:

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+ Após caso de estupro, mulheres organizam protesto em São Paulo

– Chá & Sexo

O vídeo que foi visto no Facebook por mais de 5 milhões de pessoas compara a sedução com um convite para tomar um chá. “Se enquanto estava bem, ela falou que não queria chá e depois desmaiou, não a obrigue a tomar chá e a leve para um lugar seguro”, é uma das pérolas contra o machismo:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=ckUYhFrVJlc?feature=oembed&w=500&h=281%5D

– #WomenNotObjects

No fim do ano passado, Madonna Badger, executiva da agência de publicidade Badger & Winters, fez uma busca no Google com o termo “objetificação da mulher”. O resultado foi espantoso, com inúmeras campanhas de marcas famosas. Então, ela criou a hashtag #WomenNotObjects, para chamar a atenção. O vídeo abaixo teve mais de 5 milhões de visualizações em todo o mundo, fora os compartilhamentos no Facebook:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=5J31AT7viqo?feature=oembed&w=500&h=281%5D

– Pelo Direito dos Meninos

O texto de Sílvia Amélia de Araujo foi compartilhado no Facebook diversas vezes nesta semana. Em abril, virou um mini documentário de quase oito minutos. Olha só:

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[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Bg1mH8WANkQ?feature=oembed&w=500&h=281%5D

Também vale a pena colocar aqui o texto:

Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!)

Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!)

Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina

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Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina

Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também

Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa

Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas

Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minisaia

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Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos

Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria

Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido

Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível! Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz.

O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também, à humanidade toda.

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Meu ativismo político é a favor da alegria. Só isso.

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