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São Paulo nas Alturas

Por Raul Juste Lores Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Redator-chefe de Veja São Paulo, é autor do livro "São Paulo nas Alturas", sobre a Pauliceia dos anos 50. Ex-correspondente em Pequim, Nova York, Washington e Buenos Aires, escreve sobre urbanismo e arquitetura

EXCLUSIVO: Marcio Kogan e Guto Requena projetarão a Villa XP

A proposta dos arquitetos derrotou as dos outros dois concorrentes, os escritórios Triptyque e Athié Wonrath

Por Raul Juste Lores Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jul 2020, 12h17 | Atualizado em 22 jul 2020, 12h21
Apple Park headquarters
O Apple Park, na Califórnia: isolado do entorno, o projeto foi classificado como “retrógrado” e um “desprezo à cidade” (Steve Proehl/Getty Images)
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Os arquitetos Marcio Kogan e Guto Requena serão os responsáveis pelo projeto da “Villa XP”, a sede suburbana do banco XP em São Roque, a 65 km de São Paulo. Sua proposta derrotou as dos outros dois concorrentes, os escritórios Triptyque e Athié Wonrath, segundo fontes da XP. Outros arquitetos convidados declinaram de participar da empreitada.

O campus ficará em uma área de 500 mil metros quadrados, cercada hoje por um bosque de eucaliptos, onde a incorporadora JHSF construiu um aeroporto executivo, um outlet e promete um resort.

Kogan é coautor do Hotel Fasano e já fez residenciais para a Vitacon e para a Idea!Zarvos. Seu escritório é o MK27. Requena fez a decoração de sedes corporativas na cidade como a do Google (em parceria com Athié Wonrath) e é coautor do Edifício Brasil, da incorporadora Zarzur.

A empreitada da XP causou polêmica ao ser anunciada. Ao divulgar a mudança da sede, um texto chamado de “ficção” dizia que seria bom “deixar o caos da cidade grande para trás”, algo considerado insensível em tempos de pandemia, quando a maioria não tinha para onde correr, e sob a crise de arrecadação dos cofres municipais.

No mês passado, Benchimol comparou sua “Villa” ao complexo da Apple em Cupertino, na Califórnia. Muito criticado à época, foi um projeto gestado em 2006, com um estacionamento de 14 mil vagas, maior até que o prédio, em meio ao verde do Vale do Silício, acessível apenas de automóvel. Ao divulgar a Villa em uma rede social, Benchimol mostrou uma vista aérea do lugar, bastante isolado e ainda sem construções.

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Essa versão brasileira, catorze anos depois da “inovação” da Apple, também foi criticada por urbanistas locais. “Não é inovador, nem ecológico obrigar funcionários, visitantes e fornecedores se deslocarem tão longe e de carro, onde não há metrô, nem transporte público”, escreveu Anthony Ling.

O arquiteto Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba, declarou recentemente que “condomínios horizontais são a anticidade”, referindo-se a empreendimentos similares aos Alphaville e Fazenda Boa Vista, onde se refugiou parte do empresariado brasileiro durante a quarentena. “Uma boa convivência não é em condomínio horizontal, que afasta as pessoas da cidade. Diversidade é qualidade de vida, seja na função ou na renda.”

A vontade de não se corrigir os problemas urbanos, criando bairros ou cidades mais afastados, a partir do zero, já foi testada diversas vezes pelo Brasil. Da criação de Brasília e da Barra da Tijuca, a Alphaville e a Cidade Universitária em São Paulo ou a Cidade Administrativa de Belo Horizonte, todas foram anunciadas em seu tempo como “fuga do caos da cidade”.

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Funcionários da XP se queixaram, pedindo anonimato, da mudança de sede. Muitos dizem que querem continuar na capital, nas escolas de seus filhos, perto de amigos e família, e que terão que fazer longas viagens semanais ate lá. Para eles, só alguns diretores, que moram na Fazenda Boa Vista, estão contentes em levar a sede para o interior.

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