‘A Verdadeira Dor’ trata feridas profundas ao mergulhar no luto
Filme de Jesse Eisenberg revisita o Holocausto com roteiro reconfortante e dá ótimas chances a Kieran Culkin ganhar o Oscar

Motivos de um sofrimento profundo são assuntos difíceis de serem tratados, ainda mais quando tem a ver com um gatilho coletivo na história da humanidade. Ao dirigir, escrever e estrelar A Verdadeira Dor, Jesse Eisenberg mostra uma visão crítica sobre como as pessoas, por vezes, acostumam-se e ignoram dores da existência, seguindo no piloto automático, sem parar para refletir sobre o que realmente está acontecendo.
Assumir e entender a realidade como ela é pode ser a saída para um fardo tão grande como perder alguém que se ama. O diretor propõe que, para curar as feridas, é preciso mergulhar nelas e ter um olhar generoso com o outro — afinal, cada um tem a própria linguagem emocional.
Tudo isso é contado de uma forma leve e cômica, com dois personagens antagônicos em foco, primos judeus americanos que fazem uma viagem para a Polônia, como último desejo da avó falecida, para conhecer a origem da família.

David (Eisenberg) é todo certinho e um tanto socialmente desajeitado, mora em Nova York, tem uma família e um trabalho fixo. Benji (Kieran Culkin) é expansivo e charmoso, mora no porão da mãe, gosta de fumar maconha e está desempregado.
Eles fazem uma excursão por lugares impactantes, como um antigo campo de concentração, e junto de colegas com histórias igualmente difíceis refletem sobre a experiência e seus antepassados, numa tentativa de aprender a lidar com a dor.
O retorno às origens traz questões graciosamente abarcadas pelo roteiro sensível e coroadas pela atuação da dupla.
Com performance de pulso, Culkin se consolida como estrela da geração — e deve levar o Oscar de melhor ator coadjuvante.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 31 de janeiro de 2025, edição nº 2929