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Maioria dos usuários do Uber Juntos veio do transporte público

Pesquisa afirma que passageiros passaram a preferir a modalidade compartilhada pelo melhor custo-benefício em relação aos serviços de Metrô, ônibus e trem

Por Guilherme Queiroz - 2 ago 2019, 18h54

Uma pesquisa de um grupo de estudos da Escola Politécnica da USP e da empresa Quest Inteligência afirma que 62% dos usuários do Uber Juntos opção de viagem compartilhada da empresa norte-americana — vieram do transporte público. 

Os dados foram divulgados em julho, e segundo os organizadores, possuem 95% de índice de confiabilidade. Foram feitos com base em 351 entrevistas realizadas em viagens no centro expandido da capital, com o objetivo de traçar um perfil dos usuários da plataforma. 

O Uber Juntos funciona em São Paulo desde outubro de 2018 e promete viagens com preço pelo menos 35% menor do que o UberX, opção não compartilhada. Na modalidade, o passageiro pode contar com desvios antes de chegar ao seu destino, pois compartilha o trajeto com outros usuários.

Na prática no entanto, segundo os dados, as viagens feita no Juntos costumam ter uma média de 1,4 passageiro. A mostra diz ainda que os clientes usam a modalidade em média 3,8 vezes por semana, têm em média 31 anos e 45% deles utilizam o aplicativo para ir ao trabalho.

“Mostramos que cada vez mais os paulistanos estão preferindo o automóvel, mas não um próprio”, diz o pesquisador da USP Leandro Corrêa. Entre os fatores para a preferência da Uber ao Metrô, ônibus e trem, os usuários colocaram tópicos como o baixo preço, além de maior conforto e segurança. Os deslocamentos têm em média 5,6 quilômetros, ao custo de 9,46 reais. 76,9% dos entrevistados disseram possuir Bilhete Único.

“Você coloca mais carros na rua, a maior parte alugada ou financiada recentemente, e isso causa mais congestionamento. Eles não podem usar faixa exclusiva de ônibus, como o táxi”, explica o especialista em transporte urbano da Universidade Mackenzie Vladimir Maciel.

“É um reflexo da má distribuição do transporte público na cidade, principalmente o ônibus, que é o modal de pior qualidade”, acredita o docente. “O sistema não incorpora as novas tecnologias e, por vezes, o custo-benefício dos aplicativos é melhor. A tendência é que isso [a migração para outras plataformas] ocorra de forma cada vez mais intensa”, diz Maciel. 

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É o caso, por exemplo, do morador do bairro do Ipiranga Carlos Pacheco. O jovem de 24 anos usa diariamente o Uber Juntos para ir e voltar do trabalho. “É uma distância curta, antes eu pegava o ônibus ou o metrô”, lembra o gerente comercial de 24 anos. “Mas, por quase o mesmo preço da passagem, prefiro usar o aplicativo, até por segurança”, afirma ele, que desembolsa no máximo 6 reais para cada viagem.

Além de conversar com os usuários, a equipe também divulgou dados sobre os motoristas da plataforma: 96,8% destes são homens, com média de idade de 37 anos, e trabalham em média dez horas por dia no serviço, segundo a pesquisa.

Uber, Prefeitura e Estado

Procurada, a Uber questionou a metodologia usada pelo grupo da USP e a Quest Inteligência. Segundo a empresa, a modalidade não compete com o transporte público, e sim complementa e incentiva o uso da rede. “Tanto que entre as viagens de Uber com início ou fim nas estações do Metrô paulista, por exemplo, as mais frequentes são nas pontas das linhas, como Barra Funda (ponta da linha 2-Vermelha) ou Tucuruvi (ponta da linha 1-Azul), por exemplo”, afirmou a nota da companhia.

A análise, aparentemente, foi feita com o pesquisador dentro do veículo, o que altera o funcionamento do algoritmo que combina as viagens e afeta o resultado de combinação de viagens”, disse a empresa.A Uber, portanto, desconhece quais critérios foram considerados pela Quest Inteligência para a construir uma sondagem de opinião com uma amostra de 351 entrevistados. O número representa 0,018% do universo de mais de 2 milhões de usuários que realizaram viagens de Uber Juntos nos primeiros seis meses do ano na capital paulista.”

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte, responsável pela licitação das linhas de ônibus, afirmou que não comenta pesquisas cujo conteúdo e metodologia desconhece. Disse por nota também que o “transporte de passageiros por aplicativo possui regulamentação municipal cujo objetivo é melhorar a segurança dos motoristas do setor e dos passageiros que utilizam o serviço”.

A Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos, que cuida do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), assim como a pasta municipal, por meio de nota afirmou que “não pode comentar a pesquisa em questão, um vez que desconhece a metodologia empregada e os resultados aferidos”. Afirmou ainda que “a pesquisa Origem Destino do Metrô, reconhecida como a maior análise do país sobre mobilidade urbana, mostra que as viagens feitas pela rede sobre trilhos cresceram 63% entre 2007 e 2017. Não houve perda de passageiros nem mesmo com a chegada de serviços de táxi por aplicativo e de carona compartilhada”.

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