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Relógios de plástico viram moda entre descolados

Nada de Rolex: modernos se rendem aos acessórios mais "baratinhos"

Por Débora Pivotto 18 set 2009, 20h33 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h24

Caixa redonda grande, cronógrafo, pulseira ajustável e aro metálico com marcações numéricas… Para quem olha meio distraído, eles até lembram um Rolex. Mas há uma diferença importante: são de plástico. A brincadeira começou no ano passado na Europa, foi adotada por pulsos estrelados nos Estados Unidos e agora é moda entre paulistanos descolados. “A graça é mostrar que você conhece um dos melhores relógios do mundo, mas usa um de plástico”, diz a estudante de comunicação Stephanie Choate, que comprou um modelo inspirado no Rolex Daytona, da marca Beach Time, por 390 reais. O original suíço não custa menos de 22.000 reais e há versões que chegam a mais de 70.000 reais. Stephanie encomendou outros cinco para presentear os amigos.

Na loja Tua, nos Jardins, a procura por um desses relógios foi tão grande que havia até lista de espera. “Vendi mais de 300 unidades desde dezembro”, afirma o proprietário, Bruno Dias. A empresária Elaine Wajchenberg ligou quase todos os dias durante dois meses para ter notícias de seu pedido. Assim que um lote chegou, comprou logo quatro. “São leves e bonitos”, diz. “O melhor: não atraem ladrões.” Mesmo entre esses relógios de plástico, existem os mais simples e os, digamos, sofisticados. Alguns modelos da italiana Ike têm pulseira de acrílico e podem custar 1.600 reais. Os da também italiana Vabene que vêm com o aro cravejado de cristais Swarovski saem por 989 reais na joalheria S.Pinheiro. “Das oitenta peças que recebi, setenta foram vendidas em dez dias”, conta Riccy Souza Aranha, sócia da loja Mixed. “Todos adoram — dos meus sobrinhos de 10 anos a pessoas com mais de 50 que querem ter um ar moderno.”

A socialite Joanna Trabulsi aderiu à onda. Jura que não tira seu Vabene transparente com aro dourado nem para ir à academia. “Dá para combinar tanto com um look esportivo quanto com um mais arrumado”, diz. O empresário João Doria Jr., dono de um Rolex Oyster herdado do pai, presenteou a mulher, Bia Doria, e a si mesmo no Dia dos Namorados com dois modelos da Ike. Pagou 1 500 reais em cada um. “São ótimos para os fins de semana, quando me visto mais à vontade”, afirma Doria, espécie de embaixador dos engomadinhos paulistanos.

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