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Em “O Corvo”, Edgar Allan Poe vira personagem de uma trama criminal

Suspense aborda os últimos dias de vida do sombrio escritor de histórias de terror

Por Miguel Barbieri Jr. 19 Maio 2012, 00h50 | Atualizado em 4 set 2025, 15h20
Em “O Corvo”, Edgar Allan Poe vira personagem de uma trama criminal Priorizar nos meus resultados Google

Mestre dos contos de horror, o escritor americano Edgar Allan Poe morreu em 1849, aos 40 anos. Quatro dias antes, foi encontrado vagando feito louco pelas ruas de Baltimore. As drogas e o álcool o levaram a tal ponto de decadência. Muito se especula sobre os motivos reais de sua trajetória errática — depois da morte da mulher, em 1847, ele tentou o suicídio. O suspense policial “O Corvo” (mesmo nome de um de seus poemas) é mais um capítulo a apresentar uma versão ficcional dos últimos momentos do autor.

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O roteiro traz um enredo cuja conclusão mostra-se plausível: a obra de Poe o teria levado à insanidade. Na interpretação de John Cusack, o personagem passa por um período conturbado. Embora reconhecido nas altas-rodas, tropeça nas sarjetas de tanto beber e vive em atrito com a direção do jornal que publica seus artigos. Uma série de assassinatos o obrigará a tomar outro rumo. Como o matador usou o mesmo método de fuga de “Os Assassinatos da Rua Morgue”, escrito por Poe, o detetive Emmett Fields (Luke Evans) suspeita do criador do texto. No segundo crime, outro indício contra ele: um serial killer retalhou um crítico literário segundo a macabra ideia de “O Poço e o Pêndulo”. Para piorar, a jovem Emily Hamilton (Alice Eve), namorada de Poe, foi raptada. A fim de provar sua inocência, ele se une a Fields para encontrá-la.

James McTeigue, diretor do criativo “V de Vingança” (2005) e do abominável “Ninja Assassino” (2009), assina aqui seu trabalho mais convencional e menos pretensioso. Respaldado em cuidadosa recriação de época, o realizador se rende um pouquinho à sanguinolência para agradar à geração fã de “Jogos Mortais”. O forte, contudo, está no duelo psicológico, por vezes torturante, a que o protagonista é submetido. Em argumento original, importa menos a fórmula do “whodunit“ (quem matou?) e mais as supostas elucidações dos mistérios envolvendo essa notável figura da literatura.

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