Mahmundi fala após acusação de racismo e assédio contra a Loja Três

A cantora gravou um videoclipe com a etiqueta que foi acusada de constranger funcionários e de negar itens básicos como comida e papel higiênico

A cantora Mahmundi usou suas redes sociais nesta segunda (20) para se posicionar em relação às acusações de que a Loja Três, com duas unidades na capital paulista e mais duas no Rio, estaria envolvida em diversos casos de assédio e discriminação contra seus funcionários. O caso foi revelado em reportagem do portal UOL.

Mahmundi afirmou que ficou triste e desmotivada ao saber da denúncia. Em janeiro, ela lançou um videoclipe chamado Tempo pra Amar no qual é acompanhada por um coral de funcionárias da marca. A própria gravação foi alvo de denúncias: trabalhadoras da etiqueta afirmam que ficaram por horas sem comer no set de filmagem. “Quando eu tinha 18 anos e sofria constantes humilhações numa famosa rede de fast-food, nunca fui capaz de tentar mudar aquele panorama. Que bom que essas mulheres tiveram coragem. Só fortalece meu amor e admiração por elas” , escreveu.

Confira a postagem:

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Comecei meu dia recebendo várias mensagens sobre a matéria envolvendo a @lojatres. Fico muito triste, estou bem triste. bastante desmotivada. Trabalhar com marcas é sempre cansativo. é sempre o mesmo papo, é sempre o mesmo fim. Não importa se sua marca descolada de perfume, cerveja, maquiagem e roupas estampam negros, gays, gordas e periféricos. É sempre o mesmo fim. Empresas querendo inclusão. Empresas. O que me alegra saber é que minha decisão de me conectar com aquelas pessoas faz real sentido. Quando fui convidada para fazer um projeto com a Loja 3, pensei na oportunidade de me comunicar com as trabalhadoras desse Brasil. Eu amo. Convidei meu amigo @loucascudo pra gente pensar em algo que trouxesse uma comunhão com elas e com as famílias. Lembram minha mãe, minhas tias, minhas avós. O racismo nesse país é estrutural. bem articulado, cheio de nuances. Me sinto feliz e orgulhosa de ver mulheres denunciando maus tratos, tendo voz para expor violências verbais diárias. Quando eu tinha 18 anos e sofria constantes humilhações numa famosa rede de fast food, nunca fui capaz de tentar mudar aquele panorama. Que bom que essas mulheres tiveram coragem. Só fortalece meu amor e admiração por elas. Quanto a loja, não estou assustada, como disse antes: Estou triste apenas pelas amigas trabalhadoras. Me apeguei a esse trabalho. Isso ressoa. Muitas sequelas, muita saúde mental debilitada. Cada dia abre uma loja nova no Rio de Janeiro, uma cidade de herdeiros racistas e inseguros sobre si mesmos. Amanhã, uma nova notícia impactante abafa essa, e estaremos de novo sofrendo racismo de todos os cantos. No mais, é isto. Você ficou chocado com tudo isso? Acredite, na fábrica da sua marca de maquiagem preferida, tênis descolados, cervejas inclusivas e roupas antenadas, tem sempre uma rede de funcionários sofrendo a mesma coisa todos os dias. Ainda bem que dessa vez foi diferente. Houve voz. E eu tenho o maior orgulho e prazer de ter conhecido essas mulheres. E apesar de tudo isso, sei que eu e elas – juntas – fizemos um projeto e uma noite muito especial. Mahmundi, 20 de Maio de 2019

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Entenda o caso

De acordo com a reportagem, a Loja Três teria orientado uma funcionária a cortar as tranças no cabelo. Há também relatos de que a dona da etiqueta, Guta Bion, costumava fazer comentários e piadas de cunho racista, além de duvidar da índole de suas funcionárias negras.

Uma ex-vendedora diz ter sido alvo de gordofobia e outras mulheres que trabalhavam na confecção de peças descreveram uma infraestrutura precária: faltava papel higiênico em banheiros (as costureiras traziam de casa), além de restrição para acessar a cozinha, o único cômodo onde havia filtro de água.

Por conta de acusações como essa, o Ministério Público do Trabalho do Rio tenta notificar a marca há dez meses, sem sucesso. Procurada por VEJA SÃO PAULO, a Loja Três afirmou por meio de nota ter interesse em falar com a cantora Mahmundi para esclarecer o caso. “Ainda estamos tentando compreender porque até mesmo este projeto está sendo alvo de denúncias, parte delas anônimas”, diz o comunicado.

Veja o pronunciamento na íntegra:

“Respeitamos muito a cantora Mahmundi e nos colocamos à disposição dela para mostrar nossos valores e como funcionam na prática. Mahmundi afirma que ela e nossas funcionárias fizeram um projeto e uma noite muito especial. Temos muitos feedbacks de nossos funcionários que confirmam isso. Ainda estamos tentando compreender porque até mesmo este projeto está sendo alvo de denúncias, parte delas anônimas.”

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