Clique e assine por apenas 6,90/mês

Isolamento social no estado de São Paulo fica abaixo de 50%

Governador Dória ameaça interroper previsão de reabertura dos serviços

Por Agência Brasil - Atualizado em 29 abr 2020, 16h31 - Publicado em 29 abr 2020, 16h27

O isolamento social no estado de São Paulo, em todos os dias desta semana, foi de apenas 48%, abaixo do considerado satisfatório pelo governo paulista, acima de 50%. Nesta terça-feira (28), o índice voltou a ser de 48% tanto no estado quanto na capital. Com isso, o governador de São Paulo, João Doria, voltou a ameaçar interromper a previsão de reabertura dos serviços e atividades considerados não essenciais, fechados em todo o estado desde o dia 24 de março, quando teve início o período de quarentena.

“Essa taxa de isolamento de 48% não é um número bom. É um número de alerta para a população, especialmente para a de São Paulo, epicentro dos casos de coronavírus do país”, disse Doria. A cidade de São Sebastião, no litoral paulista, teve ontem a maior taxa de isolamento do estado, em torno de 63%.

Assine a Vejinha a partir de 6,90.

“Em uma taxa de isolamento de 48%, não preciso sequer perguntar aos integrantes do comitê [Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, que auxilia as ações do governo paulista em relação à pandemia], não há a menor condição de flexibilização de isolamento e evidentemente com riscos de colapso no atendimento público nos hospitais da capital e da região metropolitana. Se vocês querem sair do isolamento e ter nova fase de isolamento, colaborem. Fiquem em casa”, falou Doria.

São Paulo tem, até este momento, 24 041 casos, com 2 049 óbitos. Há ainda 1 786 pessoas internadas em unidades de terapia intensiva (UTI) e 1 917 em enfermarias. A taxa de ocupação de leitos no estado de São Paulo está em torno de 68% nas UTIs e de 47% nas enfermarias. Mas ela é bem superior e crítica na Grande São Paulo, com 85% de ocupação de UTIs e de 75% em enfermarias.

Continua após a publicidade

Assine a Vejinha a partir de 6,90.

O secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, explicou que, quando todos os leitos públicos estiverem esgotados, seguindo a legislação, o governo poderá começar a reivindicar leitos de hospitais filantrópicos. E caso isso também se esgote, a ampliação de leitos poderá ser reivindicada junto a hospitais privados.

Segundo o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, a prefeitura tem criado novos leitos para atendimento de pessoas com coronavírus. Mas eles serão insuficientes, de acordo com ele, se as pessoas não mantiverem o isolamento. “Só na cidade de São Paulo, o esforço da prefeitura criou 3 567 leitos. Desses leitos, 1 337 são de UTI, dos quais 563 já foram entregues”, falou ele. “Se as pessoas relaxarem no isolamento, todo mundo vai ficar doente ao mesmo tempo, e nós, mesmo com esse esforço, não vamos conseguir atender a população. Daí a possibilidade de salvar vidas cai drasticamente”.

Assine a Vejinha a partir de 6,90.

O estado de São Paulo ultrapassou ontem 2 mil mortes por coronavírus desde o início da pandemia. São Paulo demorou 32 dias para atingir mil mortes desde o registro do primeiro óbito. Mas em apenas oito dias atingiu outras mil mortes, somando 2 049 óbitos. Segundo Doria, isso indica que o estado chegou a sua fase mais difícil.

“Estamos iniciando a fase mais dura e mais difícil do coronavírus e lamentavelmente também do número de mortes. Não só em São Paulo, mas em todo o Brasil”, disse o governador. “Não estamos nessa pandemia enfrentando nenhuma gripezinha. Estamos enfrentando um vírus que mata e que, infelizmente, neste momento não tem nem medicamento e nem vacina [contra ele]. Só tem uma solução: ficar em casa e obedecer ao isolamento social”, acrescentou.

Publicidade