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Empresas apostam em tecnologia de ponta para incrementar negócios

Dentre as novidades, há um hotel que “contratou” um robô para atuar de mensageiro

Por Sérgio Quintella 30 nov 2018, 06h00
Phil, o robô concierge: 3 000 informações armazenadas Alexandre Battibugli/Veja SP

Imagine hospedar-se em um hotel e ser recepcionado por um robô que sabe seu nome, idade e qual será o seu quarto. O Phil Welcome, que dá expediente de até dez horas diárias (tempo de duração da bateria) no Pullman São Paulo, na Vila Olímpia, há duas semanas, não chega a ser uma Rosie, do clássico desenho animado futurista Os Jetsons, mas está no caminho. Com 1,30 metro de altura, ele possui 3 000 informações armazenadas e responde a questões como qual a senha da internet ou o horário do café da manhã. Caso o cliente seja um habitué do espaço e faça um cadastro prévio, Phil, com sua lente capaz de reconhecer rostos, irá recepcioná-lo na porta. “Quanto mais tempo passar, mais inteligente ele ficará”, afirma o gerente Ronei Borba, que a cada semana acrescenta cerca de 100 novos dados à memória do robô.

A utilização de sistemas modernos em estabelecimentos públicos e privados da capital não chega a ser uma novidade, mas a gama de empresas que lançam mão da inteligência artificial para incrementar os negócios vem crescendo. Inaugurada em julho deste ano, a cervejaria Perro Libre, em Pinheiros, desenvolveu um sistema de cobrança e oferta fracionadas de chope artesanal. De posse de um cartão pré-pago, o cliente vai até uma das quinze torneiras e escolhe a quantidade a ser servida. Cada torneira tem uma bebida com ingredientes diferentes, como coco e café. “Pode custar 75 centavos, 1 real ou 10 reais por copo, tanto faz”, afirma o empresário Thiago Galbeno, um dos sócios do bar. “Para experimentar várias de nossas receitas, o consumidor não precisa encher a cara.”

Cliente no Perro Libre: cada um paga quanto quer beber Ligia SkowronSki/Divulgação

As novidades tecnológicas também aparecem na hora de fechar a conta. Um sistema de pagamento por QR Code, desenvolvido pela Movile, dona do iFood, e lançado neste mês, promete ser o sucessor do cartão de crédito e débito. A iniciativa, que serve tanto para compras por delivery quanto para lojas físicas, está sendo oferecida inicialmente em 300 restaurantes da capital. A intenção é levar a empreitada para 50 000 estabelecimentos do país. “Em outros mercados, como a China, esse meio de pagamento é a principal escolha nas transações”, afirma Daniel Bergman, diretor de pagamentos da Movile. “No futuro, a carteira das pessoas vai migrar para o celular”, prevê.

Um dos casos de sucesso mais conhecidos do mundo, a americana Uber virou referência para cada nova empreitada tecnológica. No quesito “Uber da beleza”, a brasileira Zauty, há três meses no mercado, aposta nos atendimentos estéticos em domicílio. Com 1 300 profissionais cadastrados, como cabeleireiros, manicures e massagistas, a empresa fez 19 000 serviços no período. A exemplo do aplicativo de transporte, a Zauty aplica preços mais altos em horários de grande procura e retém parte do valor pago pelos clientes — ela fica com 30% do valor do trabalho. “Os 70% restantes vão para os profissionais, que ganham mais do que se fossem associados a salões convencionais”, afirma Márcio Pascal, CEO da Zauty.

Marta Ferreira, com óculos-scanner: 19 000 reais por aparelho Antonio Milena/Veja SP

No campo público, o uso de inteligência artificial pode ser visto nas bibliotecas municipais. A um custo de 19 000 reais por aparelho, 54 óculos-scanner estão disponíveis em todas as unidades da cidade e são voltados para deficientes visuais. O equipamento escaneia o conteúdo de textos e o transforma em áudio. “As crianças chegam a gritar de felicidade”, afirma Marta Nosé Ferreira, diretora da Biblioteca Monteiro Lobato, na Vila Buarque, direcionada ao público infantojuvenil.

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