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USP reformará o Crusp, sua moradia estudantil, sem obras desde os anos 90

Na pandemia, residencial tem 550 ocupantes, e 111 terão de ser realocados durante os reparos; parte dos estudantes reclama de prazo para saída

Por César Costa e Pedro Carvalho
27 ago 2021, 06h00

Feito nos anos 60 e sem reformas desde a década de 90, o histórico Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, o Crusp, começa a ficar cheio de tapumes. As obras devem ter início em setembro no bloco D, o primeiro dos sete edifícios que terão reparos nos apartamentos, fachadas e estruturas comuns de hidráulica e acessibilidade.

Apenas nessa primeira fase, que deve durar um ano e inclui também a passarela de ligação dos oito blocos, a universidade vai gastar 4,7 milhões de reais. Depois disso, a reforma pula para o bloco seguinte (onde vai despender tempo e valores semelhantes), e assim por diante, em um longo projeto previsto para durar por volta de sete anos, até que todas as unidades estejam contempladas.

Pedreiros trabalham no piso de uma obra, que é um vão sustentado por colunas de um prédio
Passarela: obras iniciais incluem a interligação entre os prédios (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Em tempos normais, o Crusp é habitado por 1 600 estudantes (além de dezenas de hóspedes “extraoficiais” e permanentes, não contabilizados pela universidade). Por causa da pandemia, o conjunto tem agora cerca de 550 ocupantes — as aulas presenciais devem voltar em outubro, e o desejo da atual gestão é que sejam só para vacinados. Os 111 jovens instalados no bloco D serão realocados nos prédios vizinhos para a reforma. Quem não topar poderá entrar no programa de auxílio moradia da universidade, que dá 500 reais por mês para alunos vulneráveis alugarem (ou dividirem) apartamentos pela cidade. “Entre bolsas e auxílios, um estudante pode receber até 1 200 reais por mês de apoio”, diz Gerson Yukio Tomanari, superintendente de assistência social da USP.

Alguns estudantes, porém, acharam que “faltou diálogo” por parte da universidade, que o prazo para a mudança é curto e o valor do auxílio, baixo. Com a ajuda do Departamento Jurídico XI de Agosto, grupo de alunos do curso de direito que assessora os estudantes, eles criaram uma ação civil pública para adiar o início da reforma. “Você precisa enfrentar instabilidade, insegurança em relação às pessoas com quem passará a morar”, diz Diego Gonçalves, 28, que cursa ciências sociais e mora no Crusp desde 2018. “O prazo inicial para a mudança era 15 de agosto e o aviso foi feito no final de julho”, diz Pedro Teixeira, 21, do direito. O prazo acabou estendido. Uma audiência de conciliação está marcada para tentar solucionar as queixas nos próximos dias.

Em visita ao conjunto, a Vejinha notou problemas. Perto das escadas, vidros quebrados permitem a entrada de chuva. As cozinhas coletivas estão sem gás nos fogões, vários deles quebrados.

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Um fogão sem as estruturas das bocas
Fogões sem gás nas cozinhas coletivas (César Costa/Veja SP)

Faltam lâmpadas em alguns andares e os elevadores para cadeirantes não funcionam. Há infiltrações em diversos apartamentos e paredes mofadas. A escada de emergência para incêndio do bloco D termina no 1º andar, em uma porta que não abre — e onde deveria haver uma mangueira, existe apenas um armário vazio.

Uma porta de saída de emergência cinza.
Sem saída: escada de emergência leva a lugar nenhum no bloco D (César Costa/Veja SP)
Um elevador visto de cima. Há bicicletas ao lado da estrutura, que está aberta com uma vassoura dentro
Elevador quebrado: falta acessibilidade (César Costa/Veja SP)

“Vamos reformar toda a parte elétrica do bloco D, melhorar os apartamentos, reposicionar banheiros e áreas hidráulicas”, diz Francisco Cardoso, superintendente de Espaço Físico da USP. Na parte do térreo, os blocos voltarão a ter os pilotis abertos do projeto original — com o tempo, eles acabaram ocupados pelas mais diferentes estruturas, de consultórios odontológicos a laboratórios da universidade.

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Infiltração em uma parede
Infiltração: caixa de luz sob risco em um dos apartamentos (César Costa/Veja SP)

“Na medida do possível, vamos desocupar esses espaços”, explica Cardoso. Na área externa, a promessa é que sejam feitos novos peitoris, melhoradas as esquadrias das janelas, a pintura e a troca dos vidros quebrados. “Haverá também telhados (hoje são só lajes impermeabilizadas)”, ele diz.

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Publicado em VEJA São Paulo de 1° de setembro de 2021, edição nº 2753

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