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Notícias da vizinhança

Por Ivan Angelo - Atualizado em 5 dez 2016, 15h30 - Publicado em 25 out 2013, 16h00

Primeira. Não se ouve mais o choro do cãozinho de que falei na crônica passada. À minha inquietação com os lamentos dele sucede-se a apreensão com seu silêncio. Terá sido expulso da casa, das colinas de Perdizes? O dono ou dona desistiu dele? Ou — melhor — arrumou-lhe companhia humana, canina? Compartilho com os leitores a ilusão otimista de que minha crônica ajudou a pessoa a se tocar.

Segunda. As lindas casas dos anos 30, 40, 50, que dão um ar de aconchegante paz a estas colinas, continuam a ser derrubadas para que sejam erguidos no lugar delas repetidos prédios sem inspiração nem arte. Pertencem, pertenceram, a moradores que desistiram da região ou da vida, deixando-a pior para os que ficamos. A prefeitura e as incorporadoras estimulam a tendência suicida dos bairros antigos, em nome do imposto predial e do lucro imobiliário.

Terceira. O insólito morador de rua que se instalara aqui ao lado, e que varria e lavava seu pedaço, e arrumava a “casa”, e cumprimentava as pessoas educadamente, e tinha um cãozinho de pelúcia que colocava em posição de guarda quando saía, sumiu mesmo, com todos os seus trecos. Veio outro, de perfil ordinário: bebe, junta trapos sujos, dorme o dia inteiro, é imundo. A gente não escolhe o jeito de a cidade e a população mudarem.

Quarta. A feira livre é desmontada às 13 horas, por exigência da prefeitura, que alega precisar de tempo para varrer e lavar a rua. O caminhão de jato d’água só aparece às 18 horas, quando automóveis já estacionaram no local e o cheiro de peixe e frango impregnou as moradias.

Quinta. O galo que cantava no fim da madrugada em algum lugar destas colinas, dando bom-dia aos moradores insones, já não convoca a aurora. Terá virado coq au vin? Terá trocado a cidade pelo campo, para viver melhor, em harém de atarefadas galinhas?

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Sexta. Os universitários do bairro continuam na contramão dos tempos modernos, reunidos às centenas nos bares vizinhos, fumando insensatamente, comprando tumores futuros em minúsculas prestações enfumaçadas e principalmente emporcalhando a quadra com milhares de baganas malcheirosas.

Sétima. A prefeitura está concluindo a reforma da pista para bicicletas e caminhadas no canteiro central da Avenida Sumaré. Com uma novidade dos engenheiros: no meio, bem no meio da pista estreita, há alguns postes!

Oitava. Depois de vários casos de furtos de veículos no entorno da universidade, as autoridades disseram que iriam inibir a atividade dos flanelinhas. Disseram. Eles continuam a extorquir os donos dos carros, na base do NPR: não pagou, riscou, ou não pagou, roubou.

Nona. A encrenca entre os moradores, a prefeitura e os construtores da arena do Palmeiras não terminou com a decisão de não cortar trinta árvores de rua para facilitar a movimentação dos carros. A segunda parte da encrenca imprevidente virá com a movimentação dos veículos.

Décima. As amoreiras, as pitangueiras e os licuris estão cumprindo espetacularmente sua obrigação anual em várias quadras das colinas, para satisfação da passarada.

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