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Penha já foi sede do governo e teve piscina com água do rio Tietê

A história do bairro da Zona Leste é preservada em uma casa de doze cômodos do início do século XX, o Memorial Penha de França

Por Guilherme Queiroz - Atualizado em 10 set 2020, 20h56 - Publicado em 11 set 2020, 06h00

Cheio de ladeiras e de histórias que cruzam com revoluções e a própria independência, o bairro da Penha, na Zona Leste, é datado de 8 de setembro de 1667, mesma época da construção da capelinha que deu origem à Igreja Matriz, na Praça Nossa Senhora da Penha. A história regional é preservada no acervo do Memorial Penha de França. O espaço fica em uma casa de doze cômodos de 1930, na Rua Betari, erguida pelo avô de Francisco Folco, engenheiro de 68 anos curador do endereço. Lá ele guarda cerca de 600 fotos da Penha antiga, além de documentos históricos do bairro, e mantém o local com a ajuda de membros da ONG Movimento Cultural Penha.

Folco: “Meu pai, eu e minhas filhas crescemos na Penha” Guilherme Queiroz/Veja SP

Apaixonado por história da arte, Folco começou a coleção em 1995, quando encontrou fotos antigas no porão da Igreja Matriz. Com a ajuda de famílias tradicionais da região, constituiu o acervo que em grande parte já é digitalizado. Folco recebe com hora marcada estudantes e pesquisadores interessados no distrito e promove cursos de fotografia e arte que ajudam a custear o endereço. Conheça, ao lado, cinco curiosidades sobre o bairro que completa 353 anos.

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Acervo Memorial Penha de França/Divulgação

O Cine Penha Theatro é conhecido como o primeiro fora do centro, de 1926. Tinha cerca de 970 lugares e resistiu até 1977, já com outro nome. No seu interior havia duas colunas de sustentação no meio da plateia, que tampavam a visão da tela de algumas de suas cadeiras: eram os lugares preferidos dos casais, que se beijavam escondidos dos lanterninhas.

Acervo Memorial Penha de França/Divulgação

Por três meses, a Penha foi a sede do governo paulista de Carlos de Campos. Durante a Revolta de 1924, o Palácio dos Campos Elíseos foi alvo de bombardeios dos militares contrários ao presidente Artur Bernardes, que tinha o apoio de Campos. O governo, refugiado na Penha, despachava ordens para conter os revoltosos do posto policial, na foto, que ficava no Largo do Rosário. Nessa época a capital foi alvo de bombas lançadas de aviões do governo federal, no combate ao movimento tenentista.

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Acervo Memorial Penha de França/Divulgação

Era 1886 quando Dom Pedro II deu um pulo na Penha para uma reunião com Antônio Proost Rodovalho. No Palacete que ficava na Rua Coronel Rodovalho até a década de 50 (foto de 1925), o imperador pedia ajuda ao empresário para combater a chama republicana. As visitas eram de família. Dom Pedro I assistiu a uma missa na Igreja Matriz em 1822: foi ao distrito agricultor em busca de apoio dos fazendeiros para a Independência do Brasil.

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Acervo Memorial Penha de França/Divulgação

A primeira linha de bonde entre o centro e o bairro é de 1901: Largo do Tesouro — Praça 8 de Setembro. O transporte foi desativado em 1966. As locomotivas elétricas impulsionaram a região, que se tornou naquele período o centro comercial da Zona Leste.

Acervo Memorial Penha de França/Divulgação

Foto de 1949: banhistas na piscina do Clube Esportivo da Penha, fundado em 1930. A atração era possível com o uso das águas do Tietê. A retificação trouxe baques: o trecho do rio na região tinha pedreiras que extraíam matéria-prima para a construção civil. Na época, o bairro era um dos principais fornecedores da feira de flores do Largo do Arouche e transportava a mercadoria por barcos.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 16 de setembro de 2020, edição nº 2704.

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