Carnaval 2025: 45% das brasileiras já sofreu assédio durante folia, aponta pesquisa

Levantamento também mostra que 78% delas ainda temem sofrer assédio novamente

Por Carolina Farias
26 fev 2025, 13h38
Mulheres temem assédio no carnaval
Mulheres temem assédio no carnaval (Locomotiva/Divulgação)
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O Carnaval é um dos eventos mais esperados do ano no Brasil, reunindo milhões de foliões nas ruas para celebrar a festa popular. No entanto, para muitas mulheres, a diversão vem acompanhada de um sentimento constante de insegurança. Um levantamento do Instituto Locomotiva, realizado em fevereiro de 2025, revelou que 45% das mulheres brasileiras já passaram por situações de assédio durante o Carnaval, o que representa cerca de 38 milhões de vítimas.

Além disso, 78% delas ainda temem sofrer assédio novamente , reforçando a necessidade urgente de medidas para garantir um ambiente seguro para todos.

De acordo com o estudo, as mulheres enfrentam dificuldades em aproveitar plenamente a festa devido ao medo do assédio. Para muitas, a preocupação com a própria segurança leva a mudanças de comportamento, como evitar certos horários, escolher trajetos mais seguros e andar sempre acompanhadas. No entanto, mesmo com essas precauções, a sensação de vulnerabilidade persiste.

O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, destacou a desigualdade de experiências entre homens e mulheres durante o Carnaval.

“Enquanto muitos homens veem a festa apenas como um momento de diversão, para milhões de mulheres, ela vem acompanhada do medo do assédio. O direito de aproveitar o espaço público sem insegurança ainda não é uma realidade para elas”, afirmou.

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Além disso, a pesquisa revelou que 85% dos brasileiros reconhecem que o assédio no Carnaval ainda é um problema e que combatê-lo é uma responsabilidade coletiva. Isso mostra que a população tem consciência da gravidade da questão, mas ainda há desafios na transformação desse entendimento em ações concretas.

Cultura do assédio

Apesar da ampla percepção sobre o problema, a pesquisa identificou que algumas crenças equivocadas ainda persistem na sociedade. Entre os entrevistados, 27% concordam que quem está pulando Carnaval sozinho está à procura de alguém para ficar, 21% acreditam que “no Carnaval ninguém é de ninguém” e 19% afirmam que uma mulher vestida com pouca roupa no bloco está querendo beijar.

Outro dado preocupante é que 12% dos entrevistados (o que equivale a cerca de 20 milhões de brasileiros) concordam que não há problema em um homem “roubar” um beijo de uma mulher que esteja bêbada e vestindo pouca roupa. Essa mentalidade reflete um cenário no qual o desrespeito ao consentimento ainda é visto como algo normal por uma parcela significativa da população.

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Para Meirelles, esse tipo de pensamento reforça a cultura do assédio e contribui para a permanência dessas práticas na sociedade.

“Enquanto houver quem acredite que uma mulher sozinha está ‘à disposição’ ou que a roupa que ela usa justifica abordagens invasivas, essas práticas continuarão acontecendo. O respeito não pode depender do contexto, tem que ser a regra”, afirmou o presidente do instituto.

Se por um lado há comportamentos problemáticos enraizados, por outro, a pesquisa aponta uma boa notícia: 96% dos brasileiros consideram fundamental a realização de campanhas de combate ao assédio durante o período de Carnaval, o que representa cerca de 157 milhões de pessoas apoiando ações educativas.

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Nos últimos anos, iniciativas públicas e privadas têm buscado conscientizar os foliões sobre a importância do respeito e do consentimento. Campanhas como “Não é Não” ganharam força em blocos e eventos, estimulando denúncias e reforçando que nenhuma abordagem pode acontecer sem permissão.

Mesmo assim, especialistas alertam que o combate ao assédio deve ir além da época do Carnaval. É necessário que a educação sobre respeito e consentimento comece desde cedo, com campanhas permanentes e políticas públicas que incentivem a mudança de mentalidade e a responsabilização de agressores.

 

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