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Um paulistano em… Barcelona

Sabe aquela dica que só um bom morador local é capaz de dar? Aquele endereço escondidinho, de insider, só revelado aos amigos mais íntimos? Pois é. De tempos em tempos, vou postar aqui dicas quentes de paulistanos espalhados pelos melhores lugares do mundo. Para estrear a retranca “Um paulistano em…”, convidei o jornalista e baterista Daniel Setti, […]

Por Júlia Gouveia Atualizado em 27 fev 2017, 11h55 - Publicado em 1 nov 2012, 17h58

Daniel Setti em ação, na noite de Barcelona: os melhores endereços para curtir música na cidade

Sabe aquela dica que só um bom morador local é capaz de dar? Aquele endereço escondidinho, de insider, só revelado aos amigos mais íntimos? Pois é. De tempos em tempos, vou postar aqui dicas quentes de paulistanos espalhados pelos melhores lugares do mundo. Para estrear a retranca “Um paulistano em…”, convidei o jornalista e baterista Daniel Setti, morador há seis anos de Barcelona. Abaixo, ele divide com a gente suas dicas musicais imperdíveis na cidade mais badalada da Espanha (onde costuma tocar, inclusive).

“Geek musical que só vendo, tento pautar meu calendário de acordo com os melhores eventos do ramo. De festivais propriamente ditos, recomendo os que acontecem no fim da primavera e início de verão, e que estão consolidados há mais de uma década: Primavera Sound e Sónar

O Primavera Sound, apesar de não ter a fama mundial do Sónar, apresenta sempre uma programação musical muitíssimo melhor (cerca de 200 artistas, incluindo de nomões pop às bandas indie obscuras das quais todo mundo ainda ouvirá falar a respeito) e um público sossegadão dos 25 aos 50 anos interessado exclusivamente em música. É realizado em um lugar incrível, o Parc del Fòrum, com palcos na beira do Mediterrâneo, e faz paulistanos chorarem também pelo preço dos ingressos (comprado com a devida antecedência, o pacote para ver todos os shows pode sair por até 145 euros, valor de um mísero concerto em São Paulo, dependendo do artista, e atrás da odiosa pista vip).

O Sónar é da pesada e em conta também, mas um pouco mais dirigido a quem está tão ou mais atrás de oba-oba e de se misturar com a fauna moderna do que da música (predominantemente eletrônica e experimental) em si. Tem como cereja do bolo sua parte diurna, ao ar livre nas instalações dos museus MACBA e CCCB, mas a faceta noturna ocorre em um local ruim de doer, a Fira Gran Via, um galpão gigantesco, frio, mal preparado acusticamente e fora da cidade.

Entre minhas outras paradas obrigatórias na agenda musical de Barcelona estão as duas feiras do disco montadas anualmente na Estació Nord, quase sempre nos primeiros finais de semana de abril e outubro. Para quem coleciona LPs, como eu, é imperdível pela variedade e pelos preços. Também não deixo passar uma edição sequer do In-Edit, o festival de documentários musicais criado há uma década na cidade e que, de tão bom, já ganhou versões em São Paulo e Santiago do Chile. Rola entre o final de outubro e o início de novembro.

Até por causa de toda a movimentação gerada por estes eventos, Barcelona deveria ter uma cena musical própria mais consistente. Mas deixa bastante a desejar, tanto pela falta de investimento das pequenas casas noturnas – a crise passou a ser uma desculpa a mais – quanto dos produtores culturais.  Mesmo assim, ‘Barna’ possui alguns templos onde se desfruta de boa música como a Sala Apolo, que raramente cobra mais do que 25 euros por um ingresso (de shows que, novamente, no Brasil poderiam bater os R$ 300). Para quem quiser sair para dançar até de manhã, nada mais indicado do que a antiquíssima casa Magic – no caso dos mais roqueiros – e Marula, ideal para fãs de soul, funk e afins.”

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