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Jovens são escolhidos para programa de liderança internacional

Entre os selecionados está Victória Dandara Toth, estudante de direito transexual, nascida na periferia de São Paulo

Por Ana Carolina Soares 26 jul 2019, 06h00 | Atualizado em 29 jul 2019, 16h04
Programa de Líderes
Lara Franciulli, Fernando Bilfinger, Sérgio Nascimento e Victória Toth: jovens que serão preparados para chefiar (João Bertholin/Veja SP)
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“Você, uma de nós, estudando aí?!” Emocionada, uma travesti que fazia ponto na região do Largo São Francisco abordou Victória Dandara Toth, 21, a única mulher trans em sua sala no 2º ano de direito da Universidade de São Paulo. Nascida em Itaquera, a estudante superou vários obstáculos. Após peregrinar por nove escolas públicas, ela conseguiu uma bolsa para cursar o ensino médio no Colégio Arquidiocesano. “Parte dos colegas e da diretoria me apoiou, mas sofri preconceito por me assumir como transgênero e vir da periferia”, conta ela, que certa vez foi impedida por uma professora de participar de um grupo de meninas em uma dinâmica. Hoje, trabalha em um renomado escritório de advocacia da cidade, além de atuar como voluntária em um departamento que presta assistência jurídica gratuita à população.

No próximo dia 5, Victória será anunciada em um evento no hotel Maksoud Plaza, na Bela Vista, como integrante do time de 29 jovens que venceu um processo de seleção de 79 000 candidatos ao Programa de Líderes. Voltada para alunos de 16 a 34 anos, a iniciativa oferece bolsa de estudos que varia de 5% a 95% para cobrir custos de faculdades no Brasil ou no exterior. Há também casos, como o de Victória, em que o programa banca despesas como moradia e transporte. Entre as jovens lideranças contempladas em outras edições aparecem a deputada federal Tabata Amaral e o médico Gabriel Liguori, que desenvolve um gel para imprimir corações artificiais. O projeto de auxílio de custos dessas “mentes brilhantes” é da Fundação Estudar, organização sem fins lucrativos criada pelo empresário Jorge Paulo Lemann em 1991. “Quero ajudar a mudar as estatísticas e não ser mais a única mulher trans circulando nos melhores lugares. Desejo entrar na política, e, quem sabe, um dia ser presidente”, sonha Victória.

Além dela, outros três moradores da capital levaram a bolsa, mas para estudar nos Estados Unidos. Sérgio Nascimento, 18, entrou em economia e matemática aplicada na Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Gostaria de trabalhar em lugares como o Fundo Monetário Internacional, para ajudar países em desenvolvimento”, almeja. Fernando Bilfinger, 20, que cursará ciências de dados em Yale, deseja abrir uma empresa ligada a finanças pessoais. Objetivo semelhante tem Lara Franciulli, 18, que estudará ciência da computação e ciências políticas em Stanford. “Em dez anos, busco ter uma empresa que será referência em educação e estimulará mulheres a trabalhar na área de exatas”, planeja.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 31 de julho de 2019, edição nº 2645.

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