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Em Terapia Por Arnaldo Cheixas Terapeuta analítico-comportamental e mestre em Neurociências e Comportamento pela USP, Cheixas propõe usar a psicologia na abordagem de temas relevantes sobre a vida na metrópole.

Como detectar a causa de um comportamento inadequado?

Quando se quer que o comportamento de alguém mude, é preciso primeiro entender sua causa e os eventos antecedentes que ocasionam (mas não causaram) sua ocorrência. Esse é basicamente o trabalho do analista do comportamento. Isso gera um nó na cabeça das pessoas porque, intuitivamente, tendemos a pensar que a causa de qualquer coisa tem […]

Por Carolina Giovanelli Atualizado em 26 fev 2017, 15h09 - Publicado em 11 ago 2015, 19h35

Criança

Quando se quer que o comportamento de alguém mude, é preciso primeiro entender sua causa e os eventos antecedentes que ocasionam (mas não causaram) sua ocorrência. Esse é basicamente o trabalho do analista do comportamento. Isso gera um nó na cabeça das pessoas porque, intuitivamente, tendemos a pensar que a causa de qualquer coisa tem de ser, necessariamente, um evento antecedente a ela. Algo acontece e isso causa/produz uma consequência, que ocorre depois. Isso vale para quase todos os eventos naturais mas, no caso do comportamento voluntário, sua causa é um evento que ocorre posteriormente a ele. Isso porque o fator histórico está na essência do entendimento.

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Imagine um casal que tenha dificuldades com frequentes birras do filho. A birra é um comportamento voluntário. Sempre que sua vontade é contrariada o garoto de 6 anos passa a boicotar as determinações dos pais. Depois de uma negativa ao pedir para comprar um doce, por exemplo, ele se senta no chão do supermercado e chora aos berros. Se perguntarmos aos pais por que (causa) o filho está fazendo birra, provavelmente dirão que é porque não compraram o doce que ele queria. Intuitivamente é a resposta que parece mais óbvia. Diríamos que ele está fazendo birra porque não lhe deram o doce desejado.

Na verdade, eventos como esse (a negativa dos pais quanto ao doce) são o que chamamos de antecedentes de um comportamento mas não são sua causa. Por mais paradoxal que pareça, a causa do comportamento é, na verdade, a consequência que ele produz. Assim, se queremos explicar a birra da criança, temos de observar as consequências que esse comportamento produz.

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No caso, a causa da birra é o tipo de atenção que os pais dão ao filho após sua ocorrência. Por exemplo… se, depois de muita birra, os pais acabam comprando o doce pedido pelo filho, isso significa que a obtenção do doce reforça o comportamento de birra, o que será observado em situações futuras. De fato, a birra do filho já foi “consequenciada” muitas vezes no passado com atenção e concessão do desejo do filho, sendo, portanto, reforçada.

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Ou seja, só é possível ter certeza se uma determinada consequência reforçou um comportamento (sendo, portanto, sua causa) observando o que ocorre no futuro. Se o comportamento se repete em situações semelhantes, significa que aquela consequência o reforçou de fato e que, portanto, tal consequência é a causa daquele comportamento. Se o comportamento não se repetir ao longo do tempo em situações semelhantes, significa que não foi reforçado pela consequência que ele produziu, não podendo se estabelecer uma relação de causalidade entre os eventos.

Em qualquer situação na qual o comportamento do outro for inadequado, se quiser entender o que o mantém, olhe para as consequências que ele produz. Uma curiosidade é que o ganho de atenção é uma consequência reforçadora muito comum de comportamentos inadequados, como chantagem emocional, birra etc.

Assim, ao reclamar da chantagem emocional de alguém, faça esse exercício analítico e note se não é você mesmo que está reforçando tal comportamento.

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