#SPSonha: uma escola de programação na Praça Júlio Prestes

O terreno, antes ocupado pela rodoviária, recebe projetos que nunca saem do papel

A carência de programadores e desenvolvedores de apps e games no Brasil é um gargalo custoso para grandes empresas e startups. Só na cidade de São Paulo há 30 000 vagas abertas, com salários sempre em alta. Temos uma multidão de jovens e adolescentes que passam o dia entre games e aplicativos, e que mudariam de vida com essa expertise no currículo.

Imagine uma enorme escola profissionalizante dedicada à programação, com centenas de vagas, instalada no Complexo Júlio Prestes, o conjunto habitacional de oito edifícios e 1 200 apartamentos em construção em frente à Sala São Paulo. Anunciado no já longínquo ano de 2012 como a promessa de virada na Cracolândia, o complexo não engrenou. A ocupação dos apartamentos é lenta, pois os futuros moradores estão com medo. Pouco antes da inauguração do primeiro prédio, houve episódios de furto e vandalismo. Traficantes e dependentes ainda batem ponto nas redondezas. Para variar, um hospital, um CEU, um mercado e a Escola de Música Tom Jobim, que deixariam a vizinhança mais frequentada dia e noite, ainda nem começaram a ser construídos.

Obras na região da Praça Júlio Prestes: novos prédios e projetor arquitetônicos, futuro indefinido

Obras na região da Praça Júlio Prestes: novos prédios e projetor arquitetônicos, futuro indefinido (Leo Martins/Veja SP)

Aquele terreno antes ocupado pela rodoviária teve até um projeto anterior, o Teatro da Dança, já engavetado. Em mais de vinte anos de investimentos culturais como a Pinacoteca, a Osesp, o Museu da Língua Portuguesa e a própria Tom Jobim, pouco mudou na região da Luz. Não houve nem a gentrificação nem a especulação imobiliária temidas por intelectuais (persistem o abandono e dezenas de imóveis vazios em uma área central). Hora de variar o cardápio.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 06 de fevereiro de 2019, edição nº 2620.

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