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São Paulo nas Alturas Por Raul Juste Lores Redator-chefe de Veja São Paulo, é autor do livro "São Paulo nas Alturas", sobre a Pauliceia dos anos 50. Ex-correspondente em Pequim, Nova York, Washington e Buenos Aires, escreve sobre urbanismo e arquitetura

Luxo e economia no Centro de Artacho Jurado

Lançado em 1951, é um ícone na vizinhança da Câmara Municipal

Por Raul Juste Lores - Atualizado em 5 Feb 2020, 13h53 - Publicado em 8 Aug 2018, 20h39

O edifício Planalto, lançado em 1951, é um ícone na vizinhança da Câmara Municipal. Erguido pelo autodidata João Artacho Jurado (1907-1983), arquiteto e construtor sem diploma universitário (deixou a escola aos 10 anos de idade), ele conhecia bem o seu público consumidor. Nascido e criado na Zona Leste, era para a classe média emergente que vendia seus apartamentos. Em muitas e muitas prestações, para quem buscava a casa própria no Centro da São Paulo dos anos 50, onde ficavam os empregos, os cinemas, os bondes.

Raul Juste Lores/Veja SP

A metragem era reduzida (para aquela época): os 294 apartamentos tinham entre 40 a 110 m2, em cinco tamanhos diferentes. Mas ele não queria que os recém-chegados se sentissem inferiores aos moradores tradicionais da então área valorizada. Decorou com o máximo de cores e materiais a fachada, coroada por um salão de festas na cobertura. Criou divisórias quase imperceptíveis entre os terraços dos apartamentos. De longe, parecem enormes.

Raul Juste Lores/Veja SP

As lojas no terreo, o salão e até um outdoor no topo (pré-Cidade Limpa), poderiam ser alugados para abater o condomínio. Luxo na aparência, mas oferecendo um jeitinho para baratear o rateio posterior. Na mesma vizinhança, Artacho construiu os edifícios Viadutos e Louvre.

Raul Juste Lores/Veja SP
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