Edifício em Santa Cecília é legado dos irmãos Victor e Antonin Kumpera

Eles contrataram um arquiteto de primeira, Alfredo Duntuch, para projetar o prédio

Os irmãos Victor e Antonin Kumpera desembarcaram aqui como “apátridas” — sem a nacionalidade de origem nem reconhecimento por Estado algum. Nascidos em Praga, fugiram durante a II Guerra para a Suíça e de lá para o Brasil. Como vários contemporâneos, decidiram investir no mercado imobiliário (o primeiro, engenheiro, o segundo, corretor).

Pedra canjiquinha na fachada

Pedra canjiquinha na fachada (Raul Juste Lores/Veja SP)

Sorte de São Paulo, pois os irmãos contrataram um arquiteto de primeira, Alfredo Duntuch, para a empreitada. Localizado na Rua Conselheiro Brotero, em Santa Cecília, perto do Hospital Samaritano, o edifício Kumpera tem 33 apartamentos de tamanhos variados, mas espaçosos. As unidades de dois quartos têm 197 metros quadrados; as de quatro quartos, 339.

Mármore no interior: luxo contido

Mármore no interior: luxo contido (Raul Juste Lores/Veja SP)

A detalhada escritura prova que home office não é novidade: com portas de correr nas salas, vários ambientes poderiam ser transformados em escritórios ou salas de reunião, sem invadir a área privativa. O mármore e a marcenaria das áreas internas contrastam com a simplicidade da fachada, que acompanha a curva suave do terreno e cujas colunas são revestidas de pedra canjiquinha.

Marcenaria das áreas internas contrasta com a simplicidade da fachada

Marcenaria das áreas internas contrasta com a simplicidade da fachada (Raul Juste Lores/Veja SP)

Como os Kumpera, o também construtor Duntuch foi apátrida. O judeu polonês, a mulher e a filha vagaram pela Europa do Leste escapando dos nazistas, até conhecerem o cônsul brasileiro em Istambul, que lhes ofereceu visto. Com medo do fascismo no Mediterrâneo, eles cruzaram o Oriente Médio até a Índia, para dali percorrer a África e chegar a São Paulo em 1941.

Edifício com 33 apartamentos, divididos em unidades de dois ou quatro quartos

Edifício com 33 apartamentos, divididos em unidades de dois ou quatro quartos (Raul Juste Lores/Veja SP)

No fim da vida, ele projetou um apê, só para o casal, de 400 metros quadrados e apenas um quarto. Apreciava o espaço, sem paredes. A filha, Olga Krell, virou um dos principais nomes da decoração no país.

A fachada acompanha as curvas do terreno

A fachada acompanha as curvas do terreno (Raul Juste Lores/Veja SP)

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 11 de dezembro de 2019, edição nº 2664.

Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s