Nasi relembra encontros com grandes nomes do pop rock da década de 80

O vocalista do Ira! comenta passagens de sua vida ao lado de Cazuza, Legião, Lobão, Lulu Santos...

Nasi me recebeu (muito bem) em sua casa para uma entrevista. O tema era sua vida, que é vista e revista em Vocês Não Sabem quem Eu Sou, que está sendo exibido no festival de documentários musicais In-Edit. Mas, é claro, aproveitei para falar de outros assuntos e, sobretudo, em um que eu tinha muita curiosidade: como foi para o vocalista do Ira! conviver com medalhões do pop rock nacional da década de 80 que eu tanto gosto, como Cazuza e Legião Urbana? As respostas de Nasi estão abaixo.

Legião Urbana e Renato Russo – “No primeiro show da Legião em São Paulo, eu namorava a Fernanda, que fazia a programação da (casa noturna) Napalm e insisti que ela os colocasse na programação. Quando eles vieram para São Paulo, emprestamos até bateria. O Renato era uma pessoa muito querida e doce. Me lembro que uma vez, em Brasília, encontrei com o Renato e ficamos papeando horas na casa dele e falamos muito da (gravadora) Motown. À noite, na região dos bares, eu vi o outro lado dele. O Renato parecia o diabo da Tasmânia. Foi uma grande perda. Um dos maiores cantores da história da música brasileira, é claro, com a devida influência de Jerry Adriani. Um escritor e poeta incrível que deixou uma lacuna difícil de ser preenchida”.

Cazuza – “Outro cara genial da minha geração, mas tive pouco contato porque ele era carioca e eu sou paulista. Me lembro de cruzar com o Cazuza num show no Dama Xoc e ele já estava definhando por causa da aids. Me deu um super abraço, estava muito frágil e acho que era os últimos momentos de vida dele. A aids chocava muito e eu falo que escapei por pouco. Não por causa de droga injetável e, sim, por causa de promiscuidade”.

Kid Abelha – “Uma banda pop bem competente”.

Lobão – “Um cara genial que eu adoro. Entrevistei para meu programa (Nasi Noite Adentro, no canal Multishow) e ele teve de me tocar da casa dele às 3 da manhã. Não acho que tudo o que o Lobão fala é besteira, só que exagerou um pouco quando falou de política. E a polêmica em torno do Lobão apaga o músico genial que ele é. Ele já percebeu isso”.

Paulo Ricardo e RPM – “Ele se perdeu entre o pop e o rock. Quando tentou se transformou num cantor romântico, deixou para trás um legado. Não conseguiu ser um cantor popular e perdeu a coisa de band leader. Eu brinco que eu fundei e afundei o Ira!, mas o destino me deu uma oportunidade de recriar o Ira!. Espero que o Paulo Ricardo saiba recriar seu legado porque o RPM tem muitos fãs”.

Lulu Santos – “Tenho pouco contato, mas é uma figura incrível, um super compositor. Ele faz muito bem a ponte entre o rock (é um grande guitarrista) e o pop mais declarado. Gostaria de um dia ser convidado a fazer algo com ele”.

Paralamas – “A maior banda que tem, a mais competente, a mais “fu…” instrumentalmente. Sou muito grato a eles. Eu sofri um acidente de carro, em 1984, e quase morri. E o João Barone foi no hospital me visitar na UTI. Se eu já admirava os caras, passei a ter um carinho muito grande por eles”.

Titãs – “Sou suspeito para falar porque, no início das nossas carreiras, éramos muito parceiros. Dormi muitas noites na casa do Marcelo Fromer, discotei em vários shows deles… Mas o sucesso separa as pessoas. Cada um cai na estrada e a gente não se vê mais. É uma banda que gerou as carreiras solo mais incríveis. O Ciro Pessoa era a grande estrela dos Titãs e o povão não sabe disso porque ele saiu da banda antes do lançamento do primeiro LP. Uma banda que, de tão talentosa, não coube em si mesma”.

Kid Vinil – “Antes de o Ira! existir, o Kid tinha uma banda de rock chamada Verminose. Eu estive num show do Kid no Lira Paulistana em que os punks quebraram tudo. Foi uma das pessoas mais importantes na carreira do Ira!.. A primeira demo tape que gravamos, em 1982, ele tocou num programa de rádio chamado Rock Sanduíche e escreveu a maior parte dos releases do Ira!. A morte dele me impactou muito. Três mortes recentes na música me impactaram muito: Kid, Zé Rodrix, que era um grande amigo, e o Vagner Garcia, produtor que colocou bom-senso na minha cabeça. Não consigo imaginar como fazer um próximo disco solo sem ter o Vagner do meu lado. O documentário é dedicado a ele.

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