Dez tendências para o mundo do vinho na próxima década

Veja também um balaço dos últimos dez anos no mercado do vinho

Entramos na terceira década do terceiro milênio, com o mundo girando cada vez mais rápido, nos deixando de cabeça para baixo, a despeito da lei da gravidade.

Novas tecnologias, novos hábitos de consumo, novos valores morais, novas leis, novos impostos, novos governantes. Tudo isso afetou e afeta nossa vida. E mais importante que a vida, o vinho.

Um balanço da última década

Se voltarmos no tempo veremos que inciamos 2010 com novidades nefastas ao mercado do vinho, como a Lei Seca e a substituição tributária (ST). De positivo havia o câmbio em queda (saudosos R$ 1,80 em 2010) e um mercado crescente desde os anos 1990. O mercado brasileiro de vinhos cresceu cerca de 30% na década que se encerra, principalmente nos importados, que cresceram mais de de 50% em volume. Nos produtos nacionais, as estrelas foram os espumantes (com escalada de cerca de 400%) e sucos de uva (mais de 1.000%!).

O e-commerce estava nascendo no início da década, (a Wine, líder do segmento, foi fundada em 2008). Hoje as vendas online representam quase um terço de todo o mercado brasileiro de vinho. Alguns fenômenos desta década foram a multiplicação das importadoras, dos e-commerce, dos clubes de vinhos, dos eventos, das importações diretas do grande varejo e o enxugamento/simplificação das cartas de vinho dos restaurantes.

O fenômeno mais marcante da década, contudo, foi a drástica queda do valor médio gasto pelo consumidor por garrafa, resultado da grave crise de 2014, unida ao aumento dos impostos e do câmbio e à entrada dos millennials (nascidos nos anos 1980 e 1990) no mundo do vinho.

Estamos fechando as portas de 2019 com o câmbio nos píncaros, mas com a ST caindo em alguns estados, o valor médio por garrafa subindo desde 2017, a economia dando sinais de recuperação e o mercado do vinho otimista. Vejamos quais as minhas previsões para a próxima década.

 

Dez tendências para a próxima década

 1) Nos produtos

Vejo na próxima década um mercado cada vez mais receptivo. Espumantes da Inglaterra, vinhos da Geórgia fermentados em ânforas, vinhos feitos em ovos de pedra, envelhecidos no fundo do mar, veganos, kasher, sem álcool, vinho azul, em lata, bag-in-box, com sabores adicionados, marcas próprias de celebridades. O mercado acolherá qualquer novidade, mas exigirá produtos bem acabados, que proporcionem prazer a quem bebe.

 2) Na produção

Prevejo como maior tendência mundial a sustentabilidade, que é o que realmente fará a diferença para o planeta. Os vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos serão sempre uma tendência positiva e crescente (embora com um menor impacto ambiental que os sustentáveis) e estarão cada vez mais integrados ao grande mercado, deixando de ser um micronicho. As mudanças climáticas (aquecimento global) forçarão uma mudança profunda em algumas regiões, mas isso poderá movimentar positivamente o mercado, trazendo novidades ao consumidor.

 3) No consumidor

A próxima década sentirá não só a maior participação dos millennials, mas também o peso da Geração Z. Estes nascidos na era da internet dão sinais de que estarão mais abertos à novidades e de que beberão menos rótulos. Prevejo um consumidor buscando menos status e mais prazer, bebendo com mais responsabilidade e vendo valor agregado em produtos eco-friendly.

4) Na mídia

Na mídia prevejo enfraquecimento das mídias sociais e fortalecimento de outras mídias online (jornais, revistas), das newsletters, do conteúdo online pago e das assinaturas. No mundo do papel a tendência é apenas os livros sobreviverem e voltarem crescer, as demais publicações serão impressas  apenas sob demanda.

5) Na educação

A educação será cada vez mais online, utilizando big data e assistência virtual inteligente (intelligent assistance-IA)

6) No enoturismo

O enoturismo será Disney-ficado, transformando tudo em experiências mais divertidas e completas, não apenas educativas e com atrações não apenas diretamente relacionadas ao vinho

7) Nas embalagens 

O mercado está aprendendo que a embalagem (packaging), garrafa e rótulo, é o principal meio de comunicação com o cliente, o grande veículo de marketing. Uma boa embalagem deixará de ser diferencial e será questão de sobrevivência, e quanto mais básico o produto (em termos de preço) maior sua importância.

 8) No comércio

O comercio do vinho será cada vez mais online, mais integrado com conteúdo, com tecnologia (os já citados big data e assistência virtual inteligente). Como fatos marcantes que podem mudar os rumos do mercado temos o iminente fim da substituição tributária (ST) em todos os estados e o acordo entre Mercosul e União Européia.

9) No luxo

O mercado de luxo em todo o mundo se ressentiu de escândalos de falsificações e está um pouco ressabiado. Soma-se a isso a desaceleração da China em sua sede por Bordeaux e Borgonha, que podem frear sua escalada nos preços. Enquanto isso vinho do Rhône e barolos (recém descobertos pelos chineses) devem ficar mais escassos. No Brasil, por outro lado, há um contingente crescente de novos aficionados com disposição financeira, buscando experiências exclusivas, que agreguem relacionamento a vinhos de luxo.

10) Na saúde

Neste item deixo um alerta. Vinho é a mais saudável das bebidas alcoólicas, sem dúvida, mas apenas se consumido com moderação, o que raramente vejo acontecer. A indústria e os meios de comunicação precisam ser mais responsáveis e pregar o consumo responsável. Está na hora também de ligarmos o alerta vermelho para a saúde dos profissionais do vinho. Depois do outubro rosa e do novembro azul, vamos criar o janeiro tinto, em campanha para que os profissionais do setor procurem seus hepatologistas.

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