Dirceu Alves Jr.

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“Pretoperitamar — O Caminho que Vai Dar Aqui”: Na mesma onda de Itamar

Dirigido por Grace Passô, o musical sobre Itamar Assumpção é coerente com a obra e a personalidade do compositor paulista, que morreu em 2003

Um musical referente ao cantor e compositor Itamar Assumpção (1949-2003) não poderia ser convencional e tampouco seguir a reza das produções do gênero. Com direção de Grace Passô, responsável ainda pela dramaturgia ao lado de Ana Maria Gonçalves, Pretoperitamar — O Caminho que Vai Dar Aqui foge o tempo inteiro da linearidade e, não raras vezes, dificulta a vida do espectador em busca de diversão palatável. É algo próximo de como sempre funcionou a obra do artista.

Tudo o que se exige em um musical está no palco. Tem canções mais e menos conhecidas, bons cantores e outros nem tanto, cenas coletivas e intimistas, episódios da vida pessoal e alguns capazes de explicar a personalidade do enfocado. Só que o projeto, concebido e coordenado por Anelis Assumpção, filha do músico, insiste em ser fiel à alma de quem o inspirou e paga o preço por isso, um constante estranhamento dos espectadores.

Itamar é representado majoritariamente por Fabrício Boliveira, ótimo ator, que transmite a energia, mas nem sempre se destaca vocalmente. Em compensação, gente que solta o gogó bonito não falta. Denise Assunção, atriz, cantora e irmã de Itamar, abre a peça como o emblemático Anjo da Anunciação e também o retrata em físico e espírito, assim como o cantor Negro Léo, outro pilar para criar imagens sobre Itamar.

As cantoras oficiais são Iara Rennó, Thalma de Freitas e a arrebatadora Tulipa Ruiz, que, em solos, duos ou trios, narram histórias e interpretam Beijo na Boca, Dodói e Espírito que Canta, entre outras. A plateia ouve um pouco espantada e poucas vezes cantarola junto.

Os momentos de uma dramaturgia mais formal são apresentados pela atriz Claudia Missura, que começa como uma documentarista interessada em superar barreiras para fazer um filme sobre Itamar e vai se transformando em outras. Aparece na pele de uma executiva de gravadora interessada em vender discos e também dá vida a uma apresentadora de telejornal estressada com a falta de firmeza da linha editorial seguida. Ironias e críticas não faltam. Nem tudo é dito claramente e até compreendido, inclusive o final abrupto, que deixa o público em dúvida se chegou a hora de ir para casa. Tudo coerente com a onda de Itamar Assumpção (100min). 10 anos. Estreou em 28/11/2019.

+ Teatro do Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93, Pompeia. Quinta a sábado, 21h; domingo, 18h. R$ 40,00. Até o dia 19. A partir de quinta (9).

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