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Na Plateia Por Dirceu Alves Jr. Tudo sobre teatro

“Diálogos”, de Bruno Narchi, é desabafo de uma geração que fala sozinha

O espetáculo, cartaz do Instituto Cultural Capobianco, marca a estreia do ator como dramaturgo e diretor

Por Dirceu Alves Jr. - Atualizado em 8 Jan 2020, 12h06 - Publicado em 8 Jan 2020, 12h01

Entre o drama e o musical intimista, Diálogos, estreia do ator Bruno Narchi como autor e diretor, caminha por várias trilhas em busca da sensibilização da plateia. A mais óbvia delas seria conquistá-la pelo caráter emotivo. É, no entanto, por meio da capacidade de trazer à tona inseguranças comuns a uma geração que fala o tempo inteiro sozinha que o dramaturgo obtém cumplicidade com seus interlocutores.

Logo na abertura, em uma proposta intertextual, um grupo de artistas se aquece para entrar em cena e realizar mais uma apresentação. A “peça dentro da peça” oferece uma reflexão sobre a falta de um contato mais íntimo nas relações deste começo do século XXI.

Os atores Thiago Machado, Luci Salutes, Vinícius Loyola e Guilherme Leal protagonizam histórias curtas construídas em torno de polarizações. Uma mãe que vê o tempo passar e o relacionamento com o filho se tornar mais frio e um casal confrontado pelas divergências em banalidades do cotidiano figuram entre os personagens. Em outro quadro, situações que geram ansiedade e causam depressão são dramatizadas como se esses males andassem juntos.

O ambiente diminuto do Instituto Cultural Capobianco, capaz de comportar cerca de setenta pessoas, facilita a conexão entre intérpretes e plateia. Diálogos é uma montagem de apelo jovem e não à toa encontrou expressivo retorno desse público, que lotou com antecedência as sessões de novembro e dezembro.

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Bruno Narchi e Thiago Machado são artistas que despontaram nos musicais, gênero de predileção de quem tem entre 20 e 30 anos. Além de atuarem em grandes produções, eles idealizaram e participaram de Rent (2016) e Tick, Tick…Boom! (2018), espetáculos que também retratam a angústia de encontrar um lugar no mundo e corresponder às cobranças sociais. Com o atual trabalho, a dupla achou uma forma de capturar parte desses espectadores e oferece temas que lhes interessa consumir e, quem sabe, nesse encontro intimista, os fazem pensar (80min). 12 anos. Estreou em 4/11/2019.

+ Instituto Cultural Capobianco. Rua Álvaro de Carvalho, 97, centro. Segunda, 20h30. R$ 60,00. Até 17 de fevereiro.

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