“Alzheimer canino”: os sintomas da síndrome e o envelhecimento dos pets

O zootecnista Alexandre Rossi escreve sobre a pesquisa internacional da qual fez parte

Pode parecer estranho, mas nossos cães, com o passar dos anos, podem apresentar sinais de envelhecimento cerebral cujos sintomas se parecem muito com o Alzheimer, que acomete os humanos.

É a chamada Síndrome da Disfunção Cognitiva, na qual o cachorro começa a apresentar visíveis mudanças comportamentais, como alteração na forma de interagir com os tutores, desorientação mesmo em ambientes familiares, mudanças no ciclo de sono e vigília (pode passar boa parte da noite acordado, por exemplo), dificuldades na aprendizagem, necessidades fora do local determinado – mesmo que tenha sempre usado o seu “banheiro” – e alteração de nível de energia (para mais ou para menos).

Entender melhor como os cães envelhecem e algumas características da síndrome, bem como identificar seus sintomas, pode ajudar muitos pets a ter uma velhice com qualidade e bem estar garantidos.

Pesquisa internacional

Por esse motivo, fiquei muito feliz com o pedido de cientistas da Eötvös Loránd University, localizada na Hungria (Budapeste), considerada referência nos estudos sobre comportamento canino, para auxiliá-los em uma pesquisa que busca, justamente, entender melhor o envelhecimento dos cães.

A equipe que estuda esse tema, liderada pela professora Eniko Kubinyi, solicitou a divulgação de um questionário (também respondido por tutores de outros países) em minhas mídias sociais, para que possam entender melhor, através do ponto de vista dos donos, vários aspectos que atingem os cães idosos no Brasil.

Os resultados do questionário (respondido por aqui por mais de 4 400 tutores!) trouxeram alguns dados interessantes. Por exemplo, os cães começam a envelhecer a partir dos 8 anos de idade. Mas 90% dos cachorros de grande porte são considerados idosos por seus tutores a partir dos 10 anos, 80% dos animais de médio porte são considerados idosos após essa idade e 70% dos cães de porte pequeno são apontados como estando na terceira idade também após os 10 anos.

Além disso, os resultados mostraram que os sintomas da Síndrome da Disfunção Cognitiva começam a surgir em alguns cães por volta dos 8 anos de idade, mesmo considerando o porte do pet. No entanto, a efetiva ocorrência da síndrome, quando sintomas múltiplos ocorrem pelo menos mensalmente, parece desenvolver-se por volta dos 15 anos de idade.

Importância

Aplicar o conhecimento obtido pela ciência para garantir uma melhor qualidade de vida para os animais é muito importante. A veterinária, a nutrição e os cuidados com os pets têm evoluído bastante ano a ano e, com isso, a longevidade deles também.

Mas o envelhecimento pode trazer consequências que precisam ser entendidas pelos profissionais e tutores, para que a convivência prossiga harmoniosa mesmo quando o pet chega à terceira idade.

Em um próximo texto, falarei sobre medidas que podem ser tomadas no dia a dia, caso o seu cãozinho já apresente os sintomas do “Alzheimer canino”, para garantir a ele uma boa vida durante a velhice.

Por Alexandre Rossi, zootecnista, especialista em comportamento animal e sócio-fundador da Cão Cidadão.

Alexandre Rossi, zootecnista

Alexandre Rossi, zootecnista (Divulgação/Divulgação)

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