Clique e Assine a partir de R$ 6,90/mês
Arte ao Redor Tatiane de Assis é repórter da Veja SP. Acredita que as artes visuais podem aproximar pessoas e descortinar novas facetas da vida.

Exposição traz cenas do cotidiano indígena impressas em tecido

“Terceira Margem”, de Rochelle Costi, mostra os Huni Kuin, no Acre

Por Tatiane de Assis Atualizado em 14 out 2021, 21h48 - Publicado em 15 out 2021, 06h00

Terceira Margem, o título de um conto de Guimarães Rosa no qual o personagem empreende uma jornada solitária de barco em um rio, serve de inspiração para Rochelle Costi. A artista não faz menção a Rosa no texto da mostra, pelo menos não de forma evidente. As doze fotos de sua autoria foram impressas em tecido e são organizadas em três espécies de biombo, que trazem um pouco do cotidiano dos indígenas Huni Kuin, no Acre. A relação mais familiar com a natureza parece sinalizar que aquela etnia não acredita que morada é apenas uma construção, seja de madeira ou alvenaria. Não se leve, porém, essa afirmação para uma visão simplista dos povos originários do Brasil. Vendo as imagens, tem-se a impressão de que o que o mundo ocidental chama de nova forma de viver, mais consciente e menos predatória, é só uma reprodução do que já pensavam essas comunidades ancestrais. E que a ideia de “pureza indígena” — “ah, agora eles têm celular”, ouvida por aí — se revela problemática. O que parece ter havido, na assimilação de costumes de fora, é uma sobreposição de camadas, consequência da história construída pelo uso da força. E outra: se europeus imergirem em outros imaginários, caso do fotógrafo Pierre Verger (em cartaz no Instituto Tomie Ohtake), por que aos indígenas é negado esse movimento?

> Oficina Cultural Oswald de Andrade. Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, ☎ 3222-2662. Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, 11h às 18h. Grátis. Até dia 30.

+Assine a Vejinha a partir de 12,90.

Publicado em VEJA São Paulo de 20 de outubro de 2021, edição nº 2760

Continua após a publicidade

Publicidade