Marcelo Moscheta – Sete Quedas
Resenha por Julia Flamingo

Em sua nova individual, Marcelo Moscheta discute as interferências do homem na paisagem numa exposição política e elegante. Sua abordagem sobre a degradação da terra desde o surgimento da humanidade é colocada claramente em instalações, desenhos e fotografias. As obras que inicialmente chamam a atenção pela estética são, em um segundo momento, um golpe no peito do visitante. Moscheta sugere que o homem já tem sua sina definida: pagar pelos seus atos para com a natureza. Em Sete Quedas, título da instalação que também dá nome à mostra, sete desenhos em grafite sobre PVC são presos a um andaime de 5 metros de altura. A obra faz referência ao Salto de Sete Quedas, a maior cachoeira em volume do mundo (e um dos maiores espetáculos naturais do planeta), que, em 1982, desapareceu com a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Na mesma sala, O Trabalho dos Dias é criado a partir da fotografia de um monte da Ucrânia, construído pelo homem com dejetos da indústria mineradora. Uma chapeira de cartões de ponto remete à obsessão pela produtividade do trabalho, mesmo que o custo sejam o esgotamento de recursos naturais e os riscos para a população do entorno. Também chama atenção a imponente série Positivo Singular, que lembra a famosa cena do filme 2001, de Stanley Kubrick, na qual macacos veneram um monolito. Nos trabalhos de Moscheta, imagens de bloco de cimento impressas sobre metal são coladas em fotografias que retratam paisagens montanhosas. Em sua visão apocalíptica, seus monolitos também não passam ilesos ao desgaste. O artista foi merecidamente agraciado com o Prêmio ICCo/SP-Arte, na última semana. Entregue anualmente durante a feira, a bolsa leva artistas brasileiros para residências artísticas internacionais.
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