Jocasta – Débora Duboc
- Direção: Elias Andreato
- Duração: 60 minutos
- Recomendação: 14 anos
Resenha por Dirceu Alves Jr.


Por que falar mais uma vez de Jocasta? Da primeira encenação, por volta de 427 a.C., até hoje, a tragédia grega Édipo Rei, de Sófocles, ganhou incontáveis montagens e até deu origem à novela Mandala, de 1987. O dramaturgo e diretor Elias Andreato, consciente de que novas leituras são necessárias, explora desta vez a psicologia por trás da conturbada
personagem. Protagonizado por Débora Duboc, o monólogo dramático oferece ao espectador o posto de confidente da rainha que, sem saber, se casou com o próprio filho. Em uma interpretação vigorosa, Débora valoriza as palavras para revelar a frustrante intimidade com o primeiro marido, o rei Laio, e a satisfação de ter conhecido o amor e o prazer ao lado do jovem Édipo. Se no original Jocasta possuía pouquíssimas falas, aqui ela inclusive canta. Seis números musicais, compostos por Daniel Maia e Jonatan Harold, e de inegável inspiração no universo de Chico Buarque, contribuem para intensificar o fragmento amoroso da tragédia — e Jocasta deixa de ser um fantoche, vítima do destino e da supremacia masculina, para assumir a posição de senhora de sua história. Estreou em 30/10/2013. Até 27/3/2014.