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Conversas com Meu Pai

VejaSP:

Resenha por Dirceu Alves Jr.

Como atriz do Grupo XIX de Teatro, a paulistana Janaina Leite participou dos espetáculos Hysteria (2002) e Hygiene (2005) em que os limites de ficção e realidade beiravam o subjetivo. Em seguida, dramatizou o fim de sua relação com o filósofo Felipe Teixeira Pinto em Festa de Separação (2010). Na mesma linha do documentário cênico, ela surpreende pelo equilíbrio de razão e emoção ao protagonizar e dirigir Conversas com Meu Pai. A montagem ganhou encorpada dramaturgia de Alexandre Dal Farra, ao mesclar fatos reais e verídicos sem especificar a natureza de cada um, para mostrar o desabafo de uma filha. Em um primeiro momento, o foco recai sobre Janaina e os bilhetes deixados por seu pai, Alair Pereira Leite (1950-2011), que perdeu a capacidade de fala e se expressou por escrito nos seis anos finais de vida. Longe da pieguice, a proposta toma amplitude ao optar pela incomunicabilidade entre as pessoas e, numa fusão de imagens em vídeo e música, Janaina atinge um intenso momento de atriz. O ápice é a cena em que, abafada pela canção Amor Perfeito, na gravação de Roberto Carlos, a protagonista não pode ser ouvida pela plateia. Esse solo dura mais de três minutos. Surda e muda, assim como o público, ela transcende o teatro. Estreou em 25/4/2014.

    info
  • Direção: Janaina Leite
  • Duração: 65 minutos
  • Recomendação: 14 anos
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